Se você já foi usuário do Microsoft Windows e já tentou rodar aquele software, com versão somente para Windows e que não tem algum equivalente à altura no Linux, a probabilidade de conhecer o Wine é bastante alta. Para quem nunca ouviu falar, o Wine funciona como uma camada que expõe uma API compatível com a do Windows. É uma gambiarra, mas funciona, sendo que alguns softwares em execução são praticamente idênticos à versão rodando dentro do Windows.
Instalando
Antes de tudo, exceto se a sua distribuição já vier com o Wine pré-instalado, o que é pouco provável, o primeiro passo é, claro, instalá-lo. Não pretendo me estender muito nessa parte, pois cada tipo de distribuição tem o seu jeito de instalação. Nas distribuições mais comuns no Brasil, as baseadas no Debian (como Ubuntu, Kurumin e várias outras), existem pacotes pré-compilados, o download e a instalação é praticamente automatizada com o apt-get, bastando apenas adicionar o repositório referente à sua distribuição, que pode ser encontrado aqui. Se você não usa uma distribuição baseada em Debian, então veja aqui o Wine para o seu sistema, incluindo openSUSE, Red Hat e baseados, Mandriva, Slackware, *BSDs e Solaris. Este artigo foi feito com base numa instalação do openSUSE 10.2.
Configurando
“Pronto, Paulo, já instalei o Wine. Agora é só abrir ele e executar os softwares for Windows que quero, certo?”
Não exatamente, vamos agora configurá-lo para que os softwares sejam melhor executados e de uma maneira mais “personalizada”. Primeiro, abriremos o terminal e digitaremos winecfg. A seguinte janela se abrirá:
- Na aba Applications, você define configurações personalizadas para cada aplicativo, em Windows Version, a versão do Windows que o Wine se identificará. Em condições normais, não é necessário alterar essas configurações.
- Na próxima aba, a Libraries, você pode configurar o comportamento das DLLs do Wine. As DLLs que já vêm com o Wine são diferentes das que vêm no Windows, isto é necessário para que possam ser compiladas em sistemas Linux.
- Em Graphics, como o próprio nome já diz, é possível definir configurações gráficas, como o Direct3D e um desktop virtual.
- No Desktop Integration, há opções de instalação de temas do Windows. Os temas alteram a forma dos botões e o esquema de cores.
- Na aba Drives, existe o mapeamento de unidades. Você pode configurar para que softwares Windows enxerguem a partição Z: como a sua pasta home. Isso é útil em softwares com salvamento de arquivo, assim você salva um trabalho no Adobe Photoshop, por exemplo, diretamente na sua pasta /home.
- Em Áudio, claro, é possível definir configurações de áudio.
- Por fim, a aba About, que mostra a versão do Wine que você está utilizando.
Antes de iniciar
Como todo software, também existem limitações no Wine. Apesar de a probabilidade de executar algum software com sucesso não ser muito alta, ele já quebra o galho em algumas situações. Pode-se dizer que softwares menos complexos e que menos exigem acesso direto ao hardware, têm maiores chances de serem executados com perfeição no Wine. Felizmente, há o AppDB, que lista inúmeros softwares para Windows e a sua respectiva compatibilidade com o Wine, bem como a versão e a distribuição utilizada para o teste. Vale lembrar que é sempre importante manter a sua versão atualizada, visto que, a cada nova versão, são corrigidos bugs e adicionadas mais compatibilidades.
Usando o Wine
Utilizar o Wine é bem fácil. Você pode usar o terminal, para isso, digite wine [caminho do programa]. Caso queira rodar algum executável com o nome de SETUP.EXE na pasta /media/cdrom, basta digitar wine /media/cdrom/SETUP.EXE. Simples, não? Vale lembrar que o Linux é case-sensitive, ou seja, SETUP.EXE é totalmente diferente de setup.exe.
Divirta-se! Para encerrar o artigo, aí vai uma screenshot do Adobe Photoshop CS rodando no meu openSUSE 10.2.
Referências:
- AppDB
- The Official Wine Wiki
- Wikipédia (português) - Debian
- Wikipédia (português) - Wine
- Wikipédia (inglês) - Wine
- Wine HQ






