Servidores: dicas para iniciantes (parte 1)

Data 14/09/2007; 17:48
Autor Daniel Carmo Olops Contato
Comentários 12 comentários
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Uma área que me interessa muito é a de servidores de redes. Lembro-me que ficava fascinado com anúncios daqueles servidores Dell PowerEdge, ou dos HP Proliant, que custavam (e ainda custam) um bom dinheiro, e ficava imaginando como devia ser fantástico trabalhar com uma máquina dessas… Lembro-me também da minha boca aberta ao ver 3 deles no meu emprego atual, logo quando entrei.

Pois bem, o tempo passou, e hoje eu praticamente vivo disto =) E com a experiência vinda dos muitos problemas e desafios que tive que encarar, resolvi escrever este artigo, voltado a quem ainda não entende muito bem o que é um servidor, como configurar um, e como resolver problemas.

Primeiro: vejo que há muito misticismo em relação ao termo “servidor”. Afinal de contas, o que é um servidor ? Reposta: um equipamento que hospede algum serviço que é compartilhado com outros usuários da rede. Não tem nada a ver com o porte da máquina, com o sistema operacional que ela roda, ou com a quantidade de acessos simultâneos. Um Pentium 100 rodando Windows 95, que possuir uma pasta que é compartilhada para outros, é um servidor de arquivos; um 486 com o Linux, e que distribua o acesso à internet para um setor, é um servidor (ou, neste caso, gateway) de acesso à internet.

Se um servidor é somente isto, para que existem então máquinas e sistemas operacionais próprios para a tarefa, como o Windows Server ou mesmo o Linux?

No caso das máquinas, é porque conforme o número de acessos simultâneos e/ou a criticidade aumentam, é necessário possuir um hardware no qual você possa confiar - isto é, que não trave toda hora, que tenha um suporte bom, rápido e duradouro, e em alguns casos, que tenha sido homologado (aprovado) para uso com o seu sistema. O hardware de uma máquina própria para servidor não é muito diferente de um desktop, exceto pela qualidade do conjunto, pelos eventuais recursos de hot swap (”troca quente”, ou seja, troca de peças com o computador ligado) e pelo uso de padrões pouco comuns em desktops, como barramento SCSI e memórias ECC.

Já no caso dos sistemas operacionais, a questão é diferente. Sistemas voltados a servidores tendem a ser mais robustos, isto é, funcionam melhor, permitem mais tarefas simultâneas, e gerenciam melhor os recursos de hardware. Há também a questão da homologação (certos sistemas só rodam ou só serão suportados no Windows Server 2003 ou no Red Hat Linux, por exemplo).

Onde o Linux entra nesta história? Ele vem como uma alternativa mais barata (ou gratuita), flexível, viável e confiável para atuar como servidor de diversos serviços. E como desktop também, claro, mas este não é o foco deste artigo. Com ele, você pode compartilhar arquivos e impressoras, distribuir uma conexão internet com direito a controles de acesso e banda, entre muitas outras coisas. Para quem não sabe, o Linux em si é apenas um kernel (núcleo), o coração de algo maior; o conjunto do kernel e dos demais aplicativos forma a distribuição (distro). Há as distribuições pagas (Red Hat, Novell, etc.) e as gratuitas (Debian, Ubuntu, Kurumin, etc.), e há muitas delas por aí, cada uma voltada a um público específico.

Voltando aos servidores, há as distros que costumam ser apontadas como as “ideiais” para um servidor, como é o caso da Debian, Slackware, Gentoo, Red Hat, entre outras. Na verdade, a distribuição ideal é aquela que você saiba usar. Particularmente, eu prefiro o Debian, pois a versão estável deles é muito bem testada, e conta com um bom suporte. Mas você é livre para usar o que bem entender.

Para facilitar as coisas, segue uma relação de serviços comuns que podem ser hospedados pelo Linux, e o programa correspondente para isto, bem como seu site oficial:

  • Compartilhamento de arquivos e impressoras* para o Windows: Samba
  • Compartilhamento de impressoras para Windows e Linux: CUPS
  • Compartilhamento de internet com controle de acesso, banda e registro de acessos: Squid
  • Servidor de páginas de internet: Apache

* Na verdade, o Samba funciona apenas como uma ponte para o CUPS ou outro sistema de impressão, já que estes não falam diretamente com o Windows.

Há muito material por aí explicando detalhadamente o processo de instalação e configuração destes serviços. Pesquise com calma, faça os devidos testes, e você vai poder montar o seu servidor depois de algum esforço =)

Por ora, é só. No próximo artigo da série, pretendo passar algumas dicas gerais de instalação e configuração, e de resolução de problemas em servidores Linux.

Quem escreveu? Daniel Carmo Olops

Daniel Carmo Olops. Sou graduando em Ciência da Computação, e atualmente trabalho para a Faculdade de Jaguariúna na área de Informática, administrando servidores Linux e também as atividades do setor. Tenho uma relação de quase 10 anos com a informática, e tenho conhecimentos em diversas áreas e softwares, a maioria deles adquirido em fóruns ou através de empirismo (o chamado "se vira").

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Comentários

Uma excelente fonte de aprendizado em Linux é o Guia Foca.
http://www.guiafoca.org

Cheguei todo interessado no post, mas o foco é o Linux. Tudo bem, mesmo assim. É interessante saber como as coisas funcionam.

Excelente, esclareceu legal.

Não considero o Linux uma opção barata

Não se paga a licença, mas se paga um suporte técnico que é restrito e caro
Flexível porquê ??? o que subentende-se por flexivel ??? só se for a nível de servidor, porque a nível de desktop não considero (pacotes DEB x pacotes RPM, bah!)

Confiável é mesmo.

Para servidores, optaria pelo Linux, isto é, optaria pela robustez e confiabilidade que ele transmite pelos Apaches, e outros…

Realmente, Arthur, o Guia Foca é muito bom.

Thássius, eu esqueci de mencionar que os artigos estão focados no Linux, desculpe. Vou melhorar a descrição.

Fernando, eu entendo seu ponto de vista. Mas lembre-se que a contratação de suporte é opcional. Eu mesmo aprendi tudo o que sei através de leitura, fóruns e experimentação. Quanto à flexibilidade, eu disse isto, pois pode-se fazer MUITA coisa com o Linux, e configurá-lo de maneiras muito diferentes, para atender a diferentes necessidades. Inclusive o problema dos pacotes é altamente contornável - dificilmente eu tenho problemas com isto. Não estou falando isto a título de comparação com o Windows, apenas estou constatando um fato do sistema.

[]s

Excelente artigo.
Parabéns.

Excelente ideia, mas espero mas nos proximos artigos.

Inclusive eu e meus colegas de trabalho estamos com algumas máquinas para montarmos uma rede paralela, criarmos algums servidores, fazer instalação de algums serviços e aprendermos mais. Artigos como esse ira ajudar bastante, principalmente para nós que não temos experiência e iremos começar do zero.
Estou ancioso pelo próximos artigos sobre esse assunto.

Se é o Linux não me interessa, principalmente agora que foi adotado pelo governo cubano, e é o queridinho dos esquerdistas.
Espero que façam também um tutorial sobre o Windows.

Acho que nosso colega Paulo tem uma visão muito estreita sobre linux deveria pequisar mais e ser menos escravo da MS, pois devemos ter a liberdade de escolha do que devemos colocar em nossas maquinas e não ser espionados 24 hrs, updates que não sabemos, entre outras coisas, dou os parabéns pela matéria e gostaria de ver mais coisas sobre linux no site.

Por favor Kurumin para servidor não. Recomendo a quem desejar estudar o sistema para uso profissional no ramo de servidores 3 famílias:

1 - Red Hat Enterprise Linux / Fedora
2 - SUSE Linux Enterprise / openSUSE
3 - Debian / Ubuntu

Paulo Semblano, você precisa se informar um pouco melhor, pois muitas das melhores democracias, além de grandes corporações, usam e investem em Linux.

estou abobalhado com os comentarios! otimos =p

Legal, gostei, pena que num ajudo nada para iniciantes em configuração de servidor.

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