O PC e a eletricidade – parte 1

27/01/2008, 21:08

Abel Alves

18 comentários
Uma das coisas com que o usuário menos se preocupa quando lida com o PC é a parte elétrica. Muita gente não faz nem idéia do que seja a eletricidade estática e também não sabe os danos que ema descarga eletrostática pode causar. Mas este é o menor dos problemas. Quase ninguém se preocupa em fornecer ao micro uma energia “limpa”, que não cause danos ao PC. O uso de fio terra, filtros de linha, estabilizadores e No-breaks, deixa de ser uma regra para se tornar exceção. Neste artigo discutiremos alguns aspectos relacionados à eletricidade e seu micro.
Eletricidade estática
Apesar do microcomputador oferecer poucos perigos à saúde do usuário, este último pode ser muito perigoso para a “saúde” do micro. É que nós temos a capacidade de acumular cargas elétricas em nossos corpos. Estas cargas são geradas quando friccionamos dois materiais não condutores um contra o outro como acontece, por exemplo, durante uma caminhada em cima do carpete de uma sala. A carga acumulada em nossos corpos pode chegar a milhares de volts, mas não se assustem: a corrente elétrica gerada por esta carga será de um valor baixíssimo, insuficiente para causar algum dano ao nosso corpo.
Costumo dizer que a eletricidade estática é inofensiva. O problema ocorre quando durante a “descarga” eletrostática (em inglês: ESD – Eletro-Static Discharge), isto é, durante a transferência das cargas acumuladas em nosso corpo para um material eletricamente condutivo. Alguns tipos de circuitos eletrônicos são extremamente sensíveis à descarga eletrostática e podem ser literalmente “fritados” por ela. Por isso temos que nos prevenir contra a ESD antes de manusear placas, periféricos, etc.
A forma mais comum de evitar que a descarga eletrostática possa danificar seu PC é se descarregar propositalmente. Quem já leu o manual de alguma placa deve ter percebido que existe uma indicação de tocar com as mãos uma parte não pintada do gabinete do micro antes de começar o manuseio da placa. Isto vai forçar uma descarga e permitir um manuseio mais seguro. Se o serviço for mais demorado, como o realizado por um técnico de manutenção, sugere-se o uso de uma pulseira anti-estática ligada ao gabinete ou ao fio terra da tomada.

Exemplo de Pulseira anti-estática
Fio terra
Acabamos de dizer que um dos locais onde se deve ligar a pulseira anti-estática é o fio terra. Mas o que é “fio terra”? O terra é um fio de segurança. Se houver qualquer problema elétrico no seu micro a corrente elétrica gerada pelo problema “escoará” pelo fio terra, protegendo o usuário contra possíveis choques. O problema é que quase ninguém possui fio terra em casa, pois a tomada padrão no Brasil possui apenas dois fios: o fio neutro e o fase. Isso acontece porque os aparelhos elétricos e eletrônicos funcionam mesmo que não exista fio terra na tomada. Como a colocação do terra aumenta o custo, a maioria dos construtores prefere suprimi-lo, mesmo com a diminuição da segurança.

Exemplo de Tomada com fio terra (é o furo inferior)
Se desejar, o usuário pode “construir” o seu próprio fio terra. Mas essa é uma tarefa bastante simples na teoria, mas complicada na prática. Para obtermos o terra, basta conectar um fio ao “solo”, por isso o nome de fio terra. O problema é a forma em que essa conexão deve ser feita. Devemos fincar no solo uma haste de cobre com 2 metros de comprimento e soldar um fio à esta haste (para um melhor desempenho, recomenda-se utilizar 3 hastes de 2,5 metros interligadas entre si e ligadas ao fio). Este fio deve chegar à tomada de três furos e ser conectado ao furo inferior (ligeiramente arredondado). Dá para perceber que este tipo de operação é quase impossível de ser feito em um apartamento em andar alto, e, mesmo em casas, o trabalho é grande. É importante lembrar que a tomada de três furos segue um padrão para ligação dos fios. O fio terra é conectado ao furo inferior arredondado, o neutro tem que ser ligado ao furo superior do lado esquerdo e o fase ligado ao furo superior do lado direito.
Uma prática que alguns técnicos utilizam para criar o fio terra é conectar o neutro ao terceiro furo da tomada (no lugar do terra verdadeiro). Isto pode até funcionar se garantirmos que não haverá alguma mudança no caminho percorrido pelos fios neutro e fase entre o relógio de luz e a tomada onde está o micro, pois o neutro é aterrado no relógio. Porém, se alguém, mesmo sem intenção, inverter os fios neutro e fase antes destes chegarem à tomada do micro, teremos o terra ligado ao fase, ao invés do neutro. E aí prepare-se para o choque! Aliás, se seu micro está “dando choque” e você usa um “adaptador” que transforma os três pinos da tomada em dois pinos, tente inverter a encaixe do plug na tomada, pois o problema deverá desaparecer. É claro que se existir um terra verdadeiro no micro este nunca deverá “dar choque”. Antes de tentar uma solução “mirabolante” para obter o terra em sua casa, lembre-se que pior que a ausência de terra é fio terra mal feito.
No próximo artigo, falaremos sobre os principais problemas que podem existir na rede elétrica. Até lá!
Abel Alves. Sou natural do Rio de Janeiro, residindo atualmente em Maringá, no Paraná. Formei-me em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) em 1988. Em 1992 obtive o título de Mestre em Ciências pela mesma instituição. “Emendei” um Doutorado na PUC-RJ, mas abri uma empresa de informática em 1996 e não tive mais tempo para o curso. De 1992 até 1996 fui professor do IME e também da PUC-RJ. Já em 1994 comecei a escrever uma coluna chamada Solucionática no Jornal do Brasil. Depois disso não parei mais de escrever em tudo quanto é publicação: revistas, outros Jornais, etc. Trabalhei também em TV como consultor e comentarista do programa Hipermídia (GNT-Net) e também no site de Tecnologia de Informação TCInet da Editora Abril. Em Maringá, além de dedicar mais tempo à minha família, sou professor do Centro Universitário de Maringá (CESUMAR) onde leciono cadeiras ligadas à Informática e Engenharia e estou terminando o Doutorado em Engenharia na UEM.
Interessante esse artigo , me lembrou que toda vez que eu toco no gabinete ou na tela do meu PC sem as minhas havaianas , eu levo um choque X) .
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Na dica onde se diz : “tocar com as mãos uma parte não pintada do gabinete do micro antes de começar o manuseio da placa”, devemos lembrar que para isto fazer algum sentido, o computador deve estar ligado na tomada e a mesma possuir aterramento. Normalmente, no Brasil as casas não tem tomadas aterradas (com exceção nos chuveiros).
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Sou engenheiro eletrônico… Concordo com a parte de que eletricidade estática é prejudicial a alguns componentes eletrônicos, principalmente os que usam tecnologia mosfet… Mas o problema não é tão alarmante assim, placas de computadores geralmente usam tecnologia cmos e os de antigamente usavam ttl (não estou muito por dentro dessas novas tecnologias de produção de chips) então o melhor é se descarregar mesmo… Não existem muitas outras técnicas diferentes das citadas aqui.
Não concordo que um aterramento seja simples… Para dizer a verdade a teoria é tão “difícil” quanto a pratica, as barras precisam ser barras especiais, chamadas barras de copperwell (se não me engano), essas barras são formada por uma liga de cobre e ouro industrial, isso diminui a resistência elétrica, porque “todos” sabem que a corrente elétrica sempre ira procurar o caminho mais fácil, ou seja, um caminho que lhe ofereça menor resistência a sua passagem, quanto ao solo, ele tem que ser preparado, precisa ser feito um estudo para ver a salinidade que ira influenciar também em sua capacidade de oferecem aterramento, caso ele ofereça resistência não satisfatória terá que ser preparado com algum produtos químicos… Fora isso recomenda-se não apenas 3 barras, o numero de barras é calculado a partir de variáveis (solo e tipo de barra utilizada)… A propósito, o próprio fio utilizado no aterramento não pode ser um fio qualquer, tem que ser um fio que de altíssima qualidade e que tenha seu ρ “ro” resistividade reduzidíssimo…
Para quem se interessar é só consultar as normas técnicas:
NBR 5410/97
NBR 5419/93
No entanto, o que pode ser mais prejudicial a qualquer equipamento eletro/eletrônico, principalmente computadores por serem mais sensíveis, são oscilações ou flutuações que podem acontecer na própria concessionária de energia (tem uma padrão para que estas flutuações não passem determinados valores), ou na própria fiação de distribuição (descargas atmosféricas), ou quando na rede de alimentação estão ligadas cargas indutivas, etc.. Infelizmente estamos sujeitos a isso, o jeito é usar um excelente estabilizador e um filtro de linha (infelizmente esses vendidos por ai são inúteis)
Não irei me estender mais… Mas é isso ai.
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Cara, como futuro engenheiro elétrico, posso dizer que ligar o terra ao neutro é a maior furada. Prefiro deixar sem o terra a fazer a ligação.
Não é por que o potencial do neutro é zero que não há corrente passando por ele.
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Acho que é essa eletricidade estática que faz meu mouse dar choque!
Vou tentar explicar: Quando um monitor (CRT) é ligado, geralmente tem aquela energia que puxa os cabelos (não sei o nome disso), então, eu toco com o dedo no vidro do monitor, e tipo, a energia passa para meu dedo e quando relo na parte cromada do mouse, dá um choque! Sério, faz até um barulho.
Se eu não aparecer mais por aqui é porque morri eletrocutado com o mouse. Ahuahuah! 
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Muito bom artigo. Muita gente sabe disso, mas acaba esquecendo da estática e é nisso que ocorre as “fritadas”!
Já fiz um curso básico de Hardware, mas esqueci de uma coisa na qual é muito importante.
Quando colocar as mãos numa parte não pintada do gabinete, para descarregar a energia do nosso corpo, algo deverá estar ligado na força ou deverá estar totalmente fora (da tomada e do estabilizador)?
[]’s
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Excelente post! Sempre quis saber sobre isso, só tinha uma vaga idéia.
Realmente, pelo que você disse sobre a instalação do terra é quase impossível fazê-la depois da casa estar pronta… Certa vez um técnico me contou que quando usasse esse adaptador, poderia amarrar uma ponta de um fio de cobre no terceiro pino e a outra ponta num preguinho preso à parede, meio que uma gambiarra, eu nunca tentei, mas acho que pra quem não tem nada vale apena.
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Abel
E o terra eletrônico, como o do Módulo Isolador Estabilizado da Microsol, funciona mesmo ou é coisa de marketing?
Uso um desses antes do nobreak, mas sempre fico na dúvida se a rede está mesmo aterrada.
Abraços.
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Engenheiros recomendando estabilizadores para fontes chaveadas? Huummmm
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- doc
Exatamente. Tem que ter terra para funcionar.
- Bill
O problema é sério sim, porque é cumulativo, ou seja, vários “pequenos choques” podem danificar permanentemente as estruturas internas dos chips.
Eu falei que fio terra é simples “na teoria” mas complicado na prática. Falarei das oscilações e outros problemas nas outras partes do artigo 
PS1: Também sou eng. eletrônico (IME/88)
- Guilherme
É eng. Eletricista!
E se o neutro estiver mesmo aterrado, não há problema.
- Wanderson
Se descarregar via gabinete só funciona quando ele está ligado a uma tomada com terra. Senão é melhor usar outro método (grade metálica, etc.)
- Bruno M.
Prego preso à parede não funciona mesmo!
- Guilherme Mattos
Não é tão eficiente quanto ao terra, mas pelo menos “isola” seu equipamento da rede (pelo menos os de boa qualidade). Mas cuidado com a potência, ou seja, o módulo tem que ter potência igual ou maior ao no-break que você vai usar nele.
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Abel, isto não vem ao caso, mas:
Curso de Eletrônica SENAI – 1992
Curso Técnico Eletrônico (ETEP – SJCampos-SP) – 1997
Engenharia Eletrônica (ITA – SJCampos-SP) – 2000
Mestrão em Telecomunicações (UNICAMP-SP) – 2003
Obs. Creio que tivemos aula com um professor em comum:
Paulo David de Castro Lobo
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4781233E4
Agora vamos ao que interessa:
Abel:
Concordo que o efeito seja acumulativo, concordei também que o melhor é proteger o componente. Mas algumas questões precisam ser levantadas (talvez aqui não seja o melhor lugar), mas vamos la:
1) Qual é a tecnologia empregada na construção dos chips que hipoteticamente atribuiremos a descarga de eletricidade estática (como deve ser sabido não são todas as tecnologias que são sensíveis a ela)?
2) Será que o chip soldado na PCI tem a mesma probabilidade de deterioração e possivelmente uma queima como em um chip isolado, que justamente pensando nisso é vendido em uma espuma preta com propriedade condutora afim de colocar os terminais do componente em curto a fim de evitar a queima por eletricidade estática?
3) Existe algum estudo, algum trabalho cientifico para que se possa levantar um estatística de quantas vezes chips isolados ou chips soldados na PCI precisam ser manuseados de forma descuidada ate que queimem?
4) E quanto as substancias químicas contidas no suor da sua mão, eles também não entram em questão (já que o assunto é proteção)?
DOC:
Quando você toca no meu monitor você sobre um processo de eletrização por contato, você fia carrega com eletricidade estática, quando você encosta na parte metálica do mouse e natural que sinta o choque.
OBS: sem aterramento de toda a sua instalação elétrica o terra do chuveiro é inútil.
Guilherme:
Não irei comentar, acho que você se perdeu quanto a profissão, nas palavras e em alguns conceitos básicos, um engenheiro eletricISTA deveria conhecê-los, mas a verdade é que não entendi direito o que o senhor quis dizer.
Elemento_CM:
O nome é eletricidade estática.
No caso dos cabelos, procure por gerador Vandergraf generator
Bruno M.:
Não funcionam, sem aterramento residencial, você não terá, digamos assim “encaixe” para terra. Quanto ao prego na parede, será que resolve mesmo?
Creio que não (mas mesmo isso é relativo, depende de muitas variáveis), como não podemos contar com elas… a resposta é não.
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errata:
Engenharia Eletrônica (ITA – SJCampos-SP) – “2002″
“Mestre” em Telecomunicações (UNICAMP-SP) – “2003/4″
obs. estas datas de referem ao termino de cada curso
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DOC:
Quando você toca no seu monitor você sofre um processo de eletrização por contato, você fia carregado
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Elemento_CM:
No caso dos cabelos, procure por Vandergraf generator
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@Elemento_CM
Tu anda vendo mto “show do tom”, hahah…
[]’s!
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Obrigado Bill. Achei alguma coisa no Google!
Alan Carvalho, eu nunca assisti o “Show do Tom”. 
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- Bill
Conheço o Lobo, mas não tive aula com ele. Eu também tenho mestrado em Telecom pelo IME (1991) e abandonei o doutorado na PUC-RJ em 1996 quando saí do Exército e montei uma empresa. Há 3 anos me mudei para Maringá e voltei a lecionar. Estou terminando o Doutorado em Eng. Química (controle de processos). Vou tentar responder às suas dúvidas em um outro artigo. Grande abraço. 
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Abel, muito bom o artigo, parabéns! Atualmente trabalho na assistência técnica da minha empresa e sempre me deparo com a parte elétrica dos equipamentos.
Com certeza é conhecimento de qualidade que adquiri, até mais e abraços.
[]’s!
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Cara,eu amo esses comentarios, aqui se acha de tudo, eu estava em um blog dias desses e li algo assim…”Se vc estivesse em minha frente seu fila da **** eu le quebraria todo no soco…e se gemesse de mais le partia em dois”, muito muito maneiro, o que eu mais gosto nessa negocio de forum é a possibilidade de ver a mente de quem escreve somente pelo que escreve, eu no total fico 6 horas por dia passeando em forums adversos, desde organizados até desorganizados tipo daqueles que vc chinga e ta tudo certo, mas voltando ao que interessa, pretendo fazer vestibular para engenharia eletrica mas tenho algumas duvidas, aproveitando a presença dos senhores Bill e Abel Alvez, qual caminho posso tomar para chegar a desenvolver uma…tipo placa mãe ou um hardware eletronico um pouco complexo? Engenharia eletrica chega numa boa, ou é apenas matematica pura? Começar como Tecnico em eletrica ajuda num bom começo?
Valew ai ^~
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