Inteligência ArtificialTendências

Enquanto universidades discutem limites para IA, mais de 85% dos professores ampliam uso da tecnologia

Enquanto universidades federais avançam na criação de diretrizes e discutem limites para o uso de inteligência artificial, a tecnologia já se consolida no cotidiano de professores da educação básica, muitas vezes sem orientação formal. A constatação aparece no levantamento nacional, inédito no país, feito pela Teachy, plataforma de inteligência artificial voltada a professores no mundo.

O levantamento mostra que mais de 85% dos docentes em todas as regiões do país pretendem ampliar o uso de IA nos próximos meses, com destaque para Norte (93,2%) e Nordeste (91,7%). O movimento ocorre em paralelo ao avanço do debate institucional sobre regras e protocolos para uso de ferramentas como chatbots no ambiente educacional.

Na prática, a adoção já impacta a dinâmica em sala de aula. No Norte, 87,2% dos professores relatam aumento no engajamento dos alunos, enquanto no Nordeste o índice chega a 84,7%. O efeito sobre o desempenho acadêmico também começa a aparecer: até 89,4% dos docentes percebem melhora nas notas, embora de forma mais gradual.

Além do impacto pedagógico, a IA tem alterado a rotina de trabalho dos professores. Entre 75% e 80% relatam economia de até 10 horas semanais, com casos ainda mais significativos, como no Nordeste (22,2%) e Centro-Oeste (25%), onde o ganho ultrapassa 20 horas.

O avanço do uso, no entanto, ocorre em um cenário ainda em construção do ponto de vista regulatório. Reportagens recentes mostram que parte significativa das universidades federais discute ou implementa diretrizes para uso de IA, com foco em ética, transparência e limites pedagógicos. 

Para especialistas, o descompasso entre adoção e regulação tende a acelerar o debate sobre o papel da tecnologia na educação. “O que vemos hoje é uma inversão do fluxo tradicional: a tecnologia chega primeiro à sala de aula e só depois às regras. Professores já estão usando IA para planejar aulas, engajar alunos e ganhar escala — enquanto as instituições ainda discutem limites. Isso cria uma janela importante: a de construir diretrizes a partir do uso real, e não apenas de hipóteses”, cometa Pedro Siciliano, cofundador e CEO da Teachy.

Outro ponto de atenção é a diferença regional na intensidade de adoção. Enquanto Norte e Nordeste lideram o uso, com índices acima de 90%, regiões como Sudeste (86,1%) e Sul (89,7%) apresentam uma postura mais cautelosa, ainda que amplamente favorável.

Para o porta-voz, esse cenário reforça que o debate sobre IA na educação não deve se restringir à proibição ou liberação do uso, mas avançar para a construção de modelos pedagógicos. “A discussão sobre restringir ou permitir o uso de IA é insuficiente. O desafio agora é pedagógico: como orientar o uso para desenvolver pensamento crítico, autoria e aprendizagem real. A tecnologia não substitui o professor, mas muda profundamente o que significa ensinar”, aponta Pedro. 

“Com adoção já consolidada entre professores e regras ainda em evolução nas instituições, a inteligência artificial se firma como um dos principais pontos de tensão, e transformação, na educação brasileira”, conclui o especialista.

Base do levantamento

O levantamento inédito no Brasil, foi feito pela Teachy, com quase 500 professores (494), de todas as regiões brasileiras, da educação infantil ao ensino médio, incluindo educadores de cursos profissionalizantes.

Você também vai gostar

Leia também!