Projeto da UHE São Simão utiliza sistemas de rastreabilidade, automação de processos e economia circular para destinar mais de 3 mil toneladas de materiais gerados durante a modernização da usina
A transformação tecnológica da Usina Hidrelétrica (UHE) São Simão, operada pela SPIC Brasil na divisa entre Goiás e Minas Gerais, vai além da substituição de equipamentos e da atualização da infraestrutura de geração de energia. O projeto de modernização, iniciado em 2019, incorpora ferramentas digitais de gestão, rastreabilidade e controle ambiental para garantir a destinação adequada dos materiais retirados de operação durante a renovação da planta, inaugurada em 1978.
Com investimentos superiores a R$ 1,2 bilhão ao longo de uma década, a modernização prevê a atualização completa das seis unidades geradoras da usina até 2029. Nesse processo, equipamentos eletromecânicos, sistemas de comando, componentes hidráulicos e estruturas de suporte estão sendo substituídos por tecnologias mais modernas, eficientes e confiáveis.
A renovação do parque tecnológico da usina gerou, até o momento, cerca de 3 mil toneladas de resíduos industriais. Desse total, aproximadamente 97% foram destinados a processos de reciclagem, reutilização ou rerrefino, dentro de uma estratégia que combina inovação operacional, economia circular e gestão digital de resíduos.
Entre os materiais retirados de operação estão painéis de comando elétrico e hidráulico, cabos, transformadores auxiliares, estruturas metálicas e componentes eletrônicos que, após classificação técnica, são encaminhados para reaproveitamento ou reciclagem especializada.
Tecnologia garante rastreabilidade de ponta a ponta
Um dos pilares da iniciativa é a utilização de sistemas digitais para monitoramento e gestão dos resíduos gerados durante as obras. Todo o processo é acompanhado por meio dos Manifestos de Transporte de Resíduos (MTRs), documentos eletrônicos que registram o fluxo dos materiais desde sua origem até a destinação final.
As informações são integradas aos sistemas de controle dos órgãos ambientais dos estados de Goiás e Minas Gerais, permitindo rastreabilidade completa e emissão dos Certificados de Destinação Final (CDFs), além de assegurar conformidade regulatória e transparência operacional.
A gestão também é apoiada por uma plataforma especializada de gerenciamento de resíduos, utilizada para acompanhar indicadores, garantir a conformidade legal e apoiar a tomada de decisão ao longo das diferentes etapas do processo.
Meta de sustentabilidade é superada
Em 2025, a UHE São Simão atingiu um índice de 98,82% de destinação sustentável dos resíduos gerados em suas operações, superando a meta corporativa de 85%.
A reciclagem respondeu por 97,57% do total, enquanto 0,94% dos materiais foram reutilizados e 0,31% destinados ao rerrefino. Somente em 2025, mais de 741 toneladas de sucata metálica foram encaminhadas para reciclagem, reforçando o potencial de reaproveitamento dos materiais substituídos durante a modernização da usina.
Para garantir segurança e padronização, a companhia opera sob protocolos próprios de gestão de resíduos e segue um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), que estabelece procedimentos para classificação, segregação, armazenamento, transporte e destinação final dos materiais.
“A operação de reciclagem realizada pela SPIC Brasil é feita com engajamento entre as áreas, muito zelo e observância da legislação ambiental vigente. Toda a gestão é feita com o uso da plataforma Sistema de Gestão de Resíduos. Isso assegura que todo o procedimento seja legal e em linha com as melhores práticas de sustentabilidade”, afirma Jainara Carvalho, Gerente de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade (HSEQ) da SPIC Brasil.
Ecossistema local de reciclagem
Além da modernização tecnológica da usina, o projeto contribui para fortalecer a cadeia regional de reciclagem e tratamento de resíduos. Empresas especializadas de Minas Gerais e Goiás são responsáveis pelas etapas de transporte, processamento e destinação final dos materiais.
Já os resíduos recicláveis de classe II, como plásticos, papel, papelão, vidro e metais não ferrosos, são destinados à Cooperativa de Reciclagem do Município de Santa Vitória (COOPRESV), em Minas Gerais.
A parceria integra a estratégia de desenvolvimento sustentável da companhia e amplia o impacto social da iniciativa ao apoiar a geração de renda e a estruturação da economia circular na região.
“O conceito de reutilização e reciclagem aplicado na modernização da UHE São Simão representa um grande marco para a SPIC Brasil, pois transforma materiais que antes seriam descartados em oportunidade de geração de renda e redução de impactos ambientais. Nossa cultura ESG também tem foco no desenvolvimento sustentável e isso nos conduz a dar apoio às comunidades nas regiões onde atuamos. Contar com a parceria da COOPRESV reflete nossa missão, visão e valores, além de colaborar para a economia circular com ações sustentáveis”, conclui Carvalho.
Modernização prepara usina para as próximas décadas
Com potência instalada de 1.710 MW e capacidade para abastecer aproximadamente 6 milhões de residências por ano, a UHE São Simão passa por uma das mais relevantes iniciativas de modernização do setor hidrelétrico brasileiro.
A atualização tecnológica em curso tem como objetivo ampliar a confiabilidade operacional, elevar os padrões de segurança e garantir maior eficiência dos ativos por pelo menos mais 30 anos, alinhando uma infraestrutura construída nos anos 1970 às demandas atuais de digitalização, automação e sustentabilidade do setor elétrico.









