Pesquisas & Estudos

Copa do Mundo 2026 pode se tornar teste de produtividade para empresas brasileiras impulsionadas por IA

Crescente adoção de inteligência artificial no ambiente corporativo pode ajudar organizações a conciliar a paixão nacional pelo futebol com a manutenção da produtividade durante o torneio

A Copa do Mundo FIFA 2026 promete movimentar não apenas torcedores, mas também empresas em todo o Brasil. Em um país onde o futebol historicamente influencia a rotina das pessoas e das organizações, a competição deverá representar um importante teste para a capacidade das empresas de equilibrar flexibilidade, engajamento dos colaboradores e produtividade. Nesse cenário, a inteligência artificial desponta como uma ferramenta cada vez mais estratégica.

O momento é particularmente relevante para o mercado brasileiro. De acordo com estudo realizado pela ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) em parceria com a IDC, mais da metade das empresas do país já utiliza inteligência artificial generativa em suas operações, enquanto outras 34% pretendem implementar a tecnologia nos próximos 12 meses. O levantamento demonstra que a IA vem deixando de ser uma ferramenta experimental para assumir um papel cada vez mais central nas estratégias corporativas voltadas à eficiência operacional, automação de processos e aumento de produtividade.

Ao mesmo tempo, a Copa do Mundo continua sendo um dos eventos de maior mobilização social do país. Durante o Mundial de 2022, levantamento do Google apontou que 86% dos brasileiros pretendiam acompanhar os jogos do torneio, evidenciando o potencial impacto da competição sobre hábitos de consumo, comportamento digital e rotinas de trabalho.

Nesse contexto, ferramentas de inteligência artificial já utilizadas por profissionais e empresas podem desempenhar papel fundamental na continuidade das atividades durante períodos de maior atenção aos jogos. Recursos como geração automática de conteúdo, resumos de reuniões, organização de tarefas, análise de informações e automação de processos permitem reduzir o impacto de interrupções pontuais na jornada de trabalho, mantendo o foco em entregas e resultados.

Uma pesquisa realizada pela Qlik e conduzida pela Censuswide com 2 mil profissionais empregados nos Estados Unidos que planejam acompanhar ou assistir à Copa do Mundo FIFA 2026 ajuda a ilustrar essa tendência. O levantamento mostra que 90% dos entrevistados afirmam que provavelmente assistirão aos jogos ao vivo durante o horário de trabalho, enquanto 68% dizem que devem adiar, remarcar ou até deixar de participar de reuniões para acompanhar as partidas. Ao mesmo tempo, 65% esperam aumentar o uso de ferramentas de IA durante o torneio, e 49% afirmam que pretendem utilizar a tecnologia para recuperar mais rapidamente o trabalho acumulado.

Os resultados sugerem uma mudança importante na forma como profissionais enxergam a relação entre flexibilidade e produtividade. Mais da metade dos entrevistados, 53%, acredita que sua produtividade ou capacidade de entrega poderá aumentar durante a Copa do Mundo, enquanto apenas 12% esperam uma redução de desempenho.

“A chegada da Copa do Mundo à América do Norte não é apenas um momento cultural; é um dos primeiros testes previsíveis e em larga escala para avaliar se a IA pode realmente proteger a produtividade quando a jornada de trabalho é interrompida”, diz James Fisher, Diretor de Estratégia da Qlik. “Os profissionais já estão planejando usá-la para colocar o trabalho em dia, redefinir prioridades e manter o ritmo do trabalho em meio aos jogos. As organizações que sairão na frente não serão aquelas que fiscalizam cada distração. Serão aquelas que ofereceram às suas equipes IA conectada aos dados certos, incorporada a fluxos de trabalho reais, para que ela funcione quando a jornada fica mais complexa, e não apenas em condições ideais.”

Embora os dados da pesquisa sejam referentes ao mercado norte-americano, eles refletem uma realidade que também se desenha no Brasil. À medida que a inteligência artificial passa a integrar o cotidiano das empresas, cresce a capacidade das organizações de adotar modelos de trabalho mais flexíveis sem abrir mão da eficiência operacional. A discussão deixa de estar centrada exclusivamente no controle do tempo e passa a considerar a qualidade das entregas, a automação de atividades repetitivas e o uso inteligente da tecnologia para apoiar a tomada de decisão.

“No Brasil, a Copa do Mundo é um tema que naturalmente entra nas conversas do trabalho, nas agendas das equipes e na forma como as pessoas organizam o dia. Esse contexto ajuda a tornar mais concreta uma discussão que já está no centro das empresas, que aborda como manter produtividade em jornadas cada vez mais fragmentadas. O ponto mais interessante da pesquisa da Qlik é mostrar que muitos profissionais já enxergam a IA como uma forma de compensar interrupções, priorizar tarefas e acelerar entregas. Mas essa ideia precisa ser vista com cautela, pois a IA não resolve, sozinha, problemas de produtividade, nem substitui processos bem definidos, dados confiáveis e governança. Caso contrário, corremos o risco de trocar produtividade real por uma sensação de produtividade. Para as empresas, o desafio é garantir que o uso da IA aconteça com responsabilidade, contexto de negócio e uma base de dados preparada para sustentar decisões”, afirma Cesar Ripari, Diretor de Pré-Vendas da Qlik para a América Latina.

Mais do que um evento esportivo, a Copa do Mundo de 2026 poderá servir como um laboratório para que empresas brasileiras observem, na prática, como a inteligência artificial pode contribuir para sustentar a produtividade em momentos de grande mobilização coletiva. O torneio tende a evidenciar uma transformação que já está em curso: a evolução do trabalho para modelos cada vez mais orientados por resultados, apoiados por dados e impulsionados pela IA.

Você também vai gostar

Leia também!