Pesquisa mostra que 86% dos empreendedores ainda não exploram todo o potencial da IA nos negócios

Levantamento da Loggi e Opinion Box revela que falta de conhecimento prático, preocupações com segurança e escassez de tempo ainda limitam o uso estratégico da inteligência artificial no e-commerce brasileiro

Embora a inteligência artificial já esteja incorporada à rotina de grande parte das empresas brasileiras, a maioria dos empreendedores ainda acredita estar longe de aproveitar todo o potencial da tecnologia. É o que mostra a segunda edição da pesquisa “Na Rota do E-commerce”, realizada pela Loggi em parceria com a Opinion Box. Segundo o levantamento, 86% dos empresários afirmam que ainda não utilizam a IA em sua capacidade máxima, indicando que o desafio deixou de ser o acesso às ferramentas e passou a ser a capacidade de incorporá-las de forma estratégica aos negócios.

O estudo revela um cenário de amadurecimento gradual do mercado. Sete em cada dez empreendedores (71%) reconhecem que a inteligência artificial é importante para o crescimento das empresas, mas a adoção ainda ocorre de maneira fragmentada. Apenas 23% utilizam a tecnologia de forma integrada aos objetivos do negócio, enquanto 36% recorrem à IA apenas para resolver demandas pontuais e 24% ainda estão em fase de experimentação ou aprendizado.

Segurança, conhecimento e tempo ainda são os maiores obstáculos

Entre os principais fatores que dificultam uma adoção mais ampla da inteligência artificial estão as preocupações com segurança de dados (37%), seguidas pela falta de conhecimento prático sobre como utilizar a tecnologia (33%) e pela escassez de tempo para aprender e implementar novas soluções (27%).

O levantamento também aponta outras barreiras relevantes, como dúvidas sobre a qualidade das respostas geradas pela IA (26%), receio de criar dependência da tecnologia (22%), resistência cultural dentro das empresas (19%), custos de implementação (19%) e dificuldades de integração com sistemas já existentes (17%).

Os dados indicam que os desafios são mais relacionados à maturidade organizacional do que à disponibilidade de ferramentas, especialmente entre pequenas e médias empresas.

Marketing lidera a adoção da inteligência artificial

As aplicações mais comuns da IA concentram-se em atividades com retorno rápido e facilmente perceptível. Segundo a pesquisa, 62% dos empreendedores utilizam inteligência artificial em marketing e produção de conteúdo, tornando essa a principal área de aplicação.

Na sequência aparecem:

  • Gestão e planejamento (38%);
  • Atendimento ao cliente (29%);
  • Desenvolvimento de produtos (26%);
  • Vendas e conversão (24%).

Já áreas como logística, operações e finanças ainda apresentam níveis significativamente menores de adoção, demonstrando espaço para expansão do uso da tecnologia em processos mais estruturais.

Quando analisadas as atividades do dia a dia, os entrevistados apontam a criação de conteúdo (35%), análise de dados e elaboração de relatórios (22%) e atendimento ao cliente (17%) como as funções em que a IA se tornou mais relevante.

Uso ainda é frequente, mas pouco integrado

A pesquisa também mostra que a inteligência artificial já faz parte da rotina dos empreendedores. Cerca de 45% afirmam utilizar ferramentas de IA algumas vezes por semana, enquanto 31% recorrem à tecnologia diariamente.

O levantamento aponta ainda que 56% utilizam entre duas e três plataformas diferentes, muitas vezes sem integração entre elas. O ChatGPT aparece como a ferramenta mais utilizada (86%), seguido pelo Gemini (46%). Além disso, metade dos entrevistados informou recorrer a soluções específicas de terceiros para determinadas atividades.

Segundo os pesquisadores, esse comportamento evidencia uma adoção significativa, porém ainda pouco estruturada, indicando oportunidades para integrar diferentes ferramentas dentro de uma estratégia única de transformação digital.

Produtividade é o principal benefício percebido

Entre os ganhos mais frequentemente associados ao uso da inteligência artificial estão o aumento da produtividade (48%), a melhoria da qualidade dos conteúdos produzidos (44%) e a maior agilidade operacional (38%).

Os entrevistados também reconhecem que a tecnologia já se tornou relevante para seus negócios. Caso deixassem de utilizá-la, 41% acreditam que haveria impacto moderado nas operações, enquanto 20% afirmam que o impacto seria elevado, reforçando o papel crescente da IA como ferramenta de apoio às atividades empresariais.

Metodologia

A segunda edição da pesquisa “Na Rota do E-commerce” foi realizada pela Loggi, em parceria com a Opinion Box, entre fevereiro e março de 2026. O levantamento entrevistou mais de 150 empreendedores brasileiros do comércio eletrônico, com faturamento anual entre R$ 80 mil e R$ 5 milhões, buscando compreender como a inteligência artificial vem sendo utilizada, quais são os principais desafios para sua adoção e quais impactos a tecnologia já produz nos negócios.

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