Quando fui convidado pela ZTE para uma visita às suas instalações na China eu não conhecia quase nada da empresa. Lembro que uma vez respondi uma dúvida de leitor sobre um modem 3G fabricado por ela e nada mais. Por conta de uma greve dos Correios e de uma defesa de proposta de tese de doutorado a viagem quase não acontece. Mas, felizmente, pude embarcar para o que posso considerar até agora minha melhor viagem de trabalho ao exterior!
Mas quem é essa empresa com pouco mais de 20 anos e que acaba a se tornar a 6a maior fabricante de celulares do mundo (atrás de Nokia, Motorola, Samsung, LG e Sony Ericsson)? A ZTE (Zhong Xing Telecommunication Equipment Company Limited) é a maior fabricante de equipamentos de telecomunicações e fornecedora de soluções sem fio dentre as empresas abertas em bolsa de valores na China. Tem aproximadamente 50 mil empregados em todo mundo e conta com parcerias com mais de 500 operadoras de telecomunicações em 130 países, tais como Vivo, Vodafone, TIM, etc. Um dado que me chamou atenção: mais de 20 mil empregados são engenheiros e especialistas dedicados à pesquisa e desenvolvimento!
Nossa visita começou por Xangai. Assim que chegamos, depois de uma maratona de quase 30 horas, fomos almoçar no centro antigo de Xangai. Foi o nosso primeiro contato com a comida “verdadeiramente” chinesa. Nada exótico como grilos, escorpiões, etc. Muito pato, tofu, legumes etc. Como a variedade era grande, depois de experimentar muito, ficou fácil encontrar algo do meu gosto.
Depois do almoço fomos passear um pouco no centro antigo de Xangai. A quantidade de gente na rua era impressionante. Vendedores, turistas, famílias passeando, tinha de tudo um pouco. Os vendedores sempre oferecendo “watches”, “bags”, “shoes” a todos os turistas (facilmente identificáveis, é claro). Tudo falso, é claro! Mas tinha muitas coisas interessantes e com ótimos preços, principalmente: roupas, objetos de decoração e souvenires. Nas lojas do centro antigo, assim como em quase todos o comércio na China, vale a pechincha. Nunca devemos aceitar o preço inicial da mercadoria, pois ele costuma ser até alto. Através de muita pechincha podemos chegar a um preço final que não chega a 20% do valor inicial. Na maioria das vezes o preço final costuma ser 1/3 do inicial.
A foto a seguir mostra o contraste entre o novo e o antigo na China atual. Em primeiro plano, casas com mais de 1000 anos. Ao fundo, um prédio ultramoderno.
Eu estava um pouco “zonzo” com a longa viagem e com a diferença de fuso horário (11 horas) e não tinha condições de fazer nenhum compra, muito menos de ficar pechinchando. Mas o grupo estava bastante animado com as ofertas e fizeram “shopping” até o início da tarde. Terminamos o dia fazendo um passeio de barco pelo rio Yangtze. Aliás, recomendo o passeio, pois o show de luzes dos prédios à beira do rio é muito bonito, como vocês podem verificar:
No dia seguinte, fomos visitar um vilarejo antigo preservado que fica a uma hora de carro de Xangai. Pegamos uma auto estrada super moderna, mas os motoristas chineses são loucos! Acostamento é uma terceira pista para os carros! Ultrapassagens pela direita, carros muito lentos na pista da esquerda, um caos! E as placas não ajudam muito (pelo menos para nós ocidentais!).
O vilarejo antigo estava muito bem preservado e cheio de turistas, muitos deles da própria China. O calor estava infernal, parecia Rio de Janeiro no verão. Mas dentro das casas e do próprio vilarejo, que era cortado por canais, a temperatura era um pouco mais amena. Muitas casas funcionam como lojas de lembranças e numa delas fiz a minha primeira compra na China: vários leques com motivos chineses pintados. O primeiro preço oferecido foi 100 yuan (moeda local) por um leque. Depois da tradicional negociação, levei 10 (dez) leques pelos mesmos 100 yuan! Ótimo negócio!
O grupo passeou de barco pelos canais e depois almoçamos e voltamos para Xangai.
No dia seguinte, conhecemos um dos centros de pesquisa e desenvolvimento da empresa. Em Xangai fica o centro de design industrial dos celulares e outros dispositivos da ZTE. Aliás, nos últimos anos, a empresa vem ganhando vários prêmios de design reconhecidos internacionalmente.
Dentre os modelos que pude conferir, o que mais me chamou a atenção foi o S900 (ou D90 - ver foto a seguir), um celular do tipo “flip” que possui, além das teclas numéricas, teclas individuais para as letras, tornando a digitação de mensagens SMS e textos muito mais simples. Tudo isso em um telefone bastante compacto. Falando em celulares, a empresa deve produzir 50 milhões de celulares em 2008, uma aumento de mais de 60% em relação à 2007.
Em seguida, fomos almoçar e partimos para o aeroporto para tomar o avião para Shenzhen. Para chegar ao aeroporto de Shangai, usamos o moderníssimo trem Maglev de levitação magnética. Chegamos a incríveis 431 KM/h! O vídeo abaixo mostra a viagem!
Depois de 2 horas de vôo chegamos a Shenzhen, onde visitamos uma das fábricas da ZTE. Tivemos uma calorosa recepção na empresa!
Lá se encontra o laboratório de certificação de equipamentos da empresa. Nele são feitos testes que “estressam” ao máximo os aparelhos apertando teclas, simulando quedas, alta temperatura etc. Nem sempre os fabricantes permitem este tipo de visita, mas a ZTE não impediu fotografias nem filmagens. Segundo eles, a idéia era mostrar o alto padrão de qualidade que a empresa exige para que seus equipamentos sejam aprovados.
À noite visitamos um parque folclórico em Shenzhen. Segundo Shank Ni, gerente de relações públicas da ZTE (que nos acompanhou a viagem inteira), quase toda grande cidade na China possui um parque desses. Funciona como uma Disneylândia para adultos que podem ver shows com danças típicas de suas províncias.
Terminamos a noite jantando pizza numa zona de bares e restaurantes em Shenzhen. Acho que tinha um brasileiro perdido por lá! Confiram o cartaz:
No dia seguinte fizemos uma visita turística a Hong Kong, que fica muito próxima a Shenzhen. Apesar da anexação pela China, Hong Kong continua sendo praticamente outro país, com moeda própria, controle de passaporte, etc. Fizemos um tour rápido pela cidade e algumas compras. Os preços são semelhantes aos praticados nos EUA e existem shoppings onde as mercadorias são todas legítimas (não há risco de comprar falsificações).
Terminamos a visita fazendo um passeio pela belíssima baía de Hong Kong e fomos brindados com um espetacular pôr do sol!
Voltamos para Shenzhen de trem. Olha o que eu vi no monitor que mostrava os horários de chegada e partida dos trens:
Finalmente partimos para última etapa da viagem: Pequim! Lá, em mais um dos centros de excelência da empresa, pudemos conhecer um pouco da infra-estrutura de telecomunicações que a empresa forneceu para a realização das olimpíadas 2008. Mais uma vez, a recepção foi especial:
Ainda tivemos um dia para visitar as instalações olímpicas, a Cidade Proibida e a Muralha da China. Passeios imperdíveis para qualquer turista que visite Pequim. Um aviso: Se quiser “escalar” a muralha até o ponto mais alto, pense duas vezes pois não é fácil!
Nosso grupo no último jantar na China - da esquerda para a direita: Dolores, Robson, Eu!, Mercedez, Maria, Shank, Samuel, Jackson e Elvira.
A ZTE está fazendo um esforço enorme para mostrar que sua marca é tão boa quanto os concorrentes tradicionais. A China ainda é estigmatizada por produzir artigos baratos e com baixa qualidade, além de falsificações, é claro. Mas é óbvio que no mercado de tecnologia as coisas não funcionam assim. Existem boatos de que a ZTE estaria comprando a divisão de celulares da Motorola. Ninguém confirma nada, mas o rumor é forte. De qualquer forma, a ZTE deverá colocar celulares com sua marca no Brasil até o final do ano. É bom lembrar que esta não é a estréia da ZTE no Brasil. Alguns celulares vendidos com marca “Vivo” eram na verdade fabricados pela ZTE. Aliás, essa é uma das suas especialidades: a customização de aparelhos para operadoras.
Por que considero esta minha melhor viagem de trabalho? Porque há muito tempo eu desejava conhecer a China! Uma curiosidade aguçada pelo crescimento espantoso do país. Além disso, a agenda foi planejada de forma que pudéssemos conhecer um pouco do dia-a-dia dos chineses (de cidades bastante diferentes). Para mim esta foi a melhor parte. Eu tinha uma idéia pré-concebida da China e dos chineses. Nada mais longe da realidade! O país é um canteiro de obras e a modernidade chega rápido com carros e trânsito infernais! Mas percebe-se o esforço de cada chinês para construir um país forte.
Espero que tenham gostado do relato! Até a próxima!
Abel Alves. Sou natural do Rio de Janeiro, residindo atualmente em Maringá, no Paraná. Formei-me em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) em 1988. Em 1992 obtive o título de Mestre em Ciências pela mesma instituição. “Emendei” um Doutorado na PUC-RJ, mas abri uma empresa de informática em 1996 e não tive mais tempo para o curso. De 1992 até 1996 fui professor do IME e também da PUC-RJ. Já em 1994 comecei a escrever uma coluna chamada Solucionática no Jornal do Brasil. Depois disso não parei mais de escrever em tudo quanto é publicação: revistas, outros Jornais, etc. Trabalhei também em TV como consultor e comentarista do programa Hipermídia (GNT-Net) e também no site de Tecnologia de Informação TCInet da Editora Abril. Em Maringá, além de dedicar mais tempo à minha família, sou professor do Centro Universitário de Maringá (CESUMAR) onde leciono cadeiras ligadas à Informática e Engenharia e estou terminando o Doutorado em Engenharia na UEM.
A foto da mensagem de erro do Windows foi a melhor!
[puxasaco]O pôr-do-sol já está como meu wallpaper. :)[/puxasaco]
Interessante ter conhecido um pouco essa empresa de telecomunicações que, até o momento, era desconhecida, pelo menos para mim. E os trens Maglev são incríveis mesmo, pelo que vi no vídeo, não balança nem um pouco, sensação bem baixa de velocidade.
O trem não balança nada. E faz algumas curvas a R$ 360 Km/h! A foto de Hong Kong ficou legal mesmo, ainda mais levando em conta que a minha câmera não era lá essas coisas!
Fotografei muito! Foi difícil fazer a seleção para colocar no site, mas acho que o resultado ficou legal!
E ai Abel, blz?
gostei dessa matéria em, o trem deve ser muito louco de andar mesmo…
sou fã desse site, todos os dias (quando tem net) sempre vejo as novidades que vcs colocam.
fiquei surpreso quando vi que vc é daqui de Maringá e da aula no Cesumar. Sou de Sarandi, bem do lado de maringá. Eu não entendi muito bem, vc é professor de informática e engenharia?
estou terminando o 2º ano do ensino médio e penso em fazer vestibular na área de informática…
até +.
cara
ja tinha ouvido dessa zte, mas nao fazia ideia do que fazia.
e eles parecem ser bons né?
as vezes nem sempre o mais caro e mais conhecido é o melhor, e eles estão numa caminhada para provar que isso é cada dia mais real!
Eles tem produtos muito bons!
Todas as instalações deles são ultramodernas e o mercado “interno” da China tem 700 milhões de usuários!
A marca não é forte, mas se eles comprarem a Motorola, a Nokia vai ficar assustada!