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Gartner aponta seis tendências que devem moldar o futuro de dados, analytics e Inteligência Artificial

Soberania digital, agentes de IA, governança e processamento em tempo real estão entre os temas que devem ganhar protagonismo nas estratégias corporativas nos próximos anos

A Inteligência Artificial está deixando de ser uma iniciativa isolada para se tornar um elemento central das estratégias corporativas. De acordo com o Gartner, mais de 10% das empresas serão “AI-first” até 2030, adotando a IA como base para decisões de negócios, investimentos e operações, o que deverá gerar vantagens competitivas significativas frente aos concorrentes.

Segundo a consultoria, esse movimento será impulsionado principalmente pela evolução dos agentes de IA, pelo avanço das tecnologias semânticas e pela convergência entre plataformas de dados e analytics.

“As organizações estão avançando rapidamente em direção a um modelo operacional AI-first, no qual a Inteligência Artificial já é uma consideração central em todas as decisões de negócios, fluxos de trabalho e investimentos. Sem um compromisso claro e abrangente em toda a empresa, as organizações terão dificuldade para capturar de forma consistente todo o potencial da IA nos negócios”, afirma Carlie Idoine, Vice-Presidente Analista do Gartner.

O tema estará entre os destaques da Conferência Gartner CIO & IT Executive, que acontece entre os dias 21 e 23 de setembro, em São Paulo, reunindo líderes de tecnologia para discutir estratégias de dados, transformação digital e inovação.

IA soberana ganha espaço nas estratégias corporativas
Uma das principais tendências apontadas pelo Gartner é o crescimento da chamada IA soberana. À medida que a Inteligência Artificial passa a ser considerada um ativo estratégico para a competitividade econômica e tecnológica dos países, governos e organizações buscam ampliar o controle sobre dados, infraestrutura e modelos utilizados em seus projetos.

Para a consultoria, a localização dos recursos de dados e analytics deverá se tornar um fator cada vez mais relevante nos planejamentos de longo prazo das empresas.

“A IA soberana está mudando fundamentalmente a forma como as organizações pensam sobre controle, inovação e resiliência em suas estratégias de Inteligência Artificial”, afirma Idoine. “Para responder de forma eficaz às oportunidades e ameaças apresentadas pela IA soberana, as organizações precisam modernizar seus roadmaps de D&A, evoluindo os casos de uso de Inteligência Artificial da utilização para a geração de vantagem competitiva.”

Governança passa a ser essencial para agentes de IA
Outro ponto de atenção é o crescimento do uso de agentes de IA em processos decisórios. Com sistemas cada vez mais autônomos executando tarefas estratégicas, operacionais e táticas, aumenta também a necessidade de mecanismos que garantam transparência, rastreabilidade e conformidade.

O Gartner prevê que, até 2029, decisões de negócios estruturadas dentro de modelos formais de governança serão cinco vezes mais confiáveis e até 80% mais rápidas do que decisões tomadas sem esse tipo de controle.

Plataformas de governança de IA ganham protagonismo
A expansão dos marcos regulatórios e o aumento dos riscos associados à Inteligência Artificial também estão impulsionando a adoção de plataformas especializadas em governança de IA.

Essas soluções permitem centralizar controles, aplicar políticas corporativas, monitorar riscos e garantir aderência às exigências regulatórias e aos princípios de IA responsável, tema que ganha relevância à medida que agentes autônomos passam a fazer parte da rotina das organizações.

Dados em tempo real serão fundamentais
O Gartner também destaca a evolução do chamado streaming de dados agêntico, modelo que permite o processamento contínuo de eventos e informações em tempo real.

Diferentemente dos modelos tradicionais baseados em processamento por lotes, essa abordagem fornece aos agentes de IA acesso imediato aos dados necessários para executar tarefas com mais rapidez e precisão.

A consultoria estima que mais de 60% das iniciativas de IA agêntica utilizarão streaming de dados até 2028, ante menos de 15% observados em 2025.

IA assume papel crescente na gestão de dados
O gerenciamento de dados também deve passar por mudanças significativas. Com ambientes cada vez mais complexos e distribuídos, agentes de IA começam a ser utilizados para automatizar atividades de catalogação, classificação, monitoramento e governança.

“A integração de agentes de IA aos fluxos de trabalho de gestão de dados permite que as equipes operem de maneira mais adaptativa por meio de sistemas capazes de aprender continuamente”, afirma Idoine. “Estabelecer uma governança robusta e monitorar continuamente o desempenho será essencial para garantir que essas capacidades entreguem resultados consistentes e alinhados aos objetivos do negócio.”

GraphRAG promete elevar a precisão da IA corporativa
Fechando a lista de tendências, o Gartner aponta o avanço do GraphRAG, abordagem que combina grafos de conhecimento com Grandes Modelos de Linguagem (LLMs).

A tecnologia surge como uma evolução das arquiteturas tradicionais de Retrieval-Augmented Generation (RAG), oferecendo maior capacidade de contextualização, conexão entre informações e precisão nas respostas geradas por sistemas de IA.

A expectativa é que, até 2029, cerca de 40% das empresas utilizem técnicas de GraphRAG para melhorar a confiabilidade factual e a capacidade de raciocínio de aplicações baseadas em modelos de linguagem.

Para o Gartner, essas tendências indicam que o futuro dos dados e analytics será cada vez mais orientado pela Inteligência Artificial, exigindo das organizações não apenas investimentos em tecnologia, mas também avanços em governança, arquitetura de dados e modelos operacionais capazes de sustentar uma estratégia verdadeiramente AI-first.

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