Enquanto a inteligência artificial (IA) continua a transformar o panorama empresarial, a Docusign prevê que 2026 será o ano dos fluxos de trabalho robustos e bem definidos; uma prioridade para aterrissar uma integração efetiva dos usos da IA, com segurança e conformidade.
Christiano Lucena, vice-presidente e diretor geral da Docusign na América Latina, projeta que sem processo claro, identidade, conformidade regulatória e foco no cliente, a IA não cumprirá sua promessa de otimizar processos, o que é vital para evitar ineficiências que, segundo estimativas da Deloitte, custam às empresas latino-americanas até 170 bilhões de dólares anualmente na região.
Outra frente que despontará em 2026 é o investimento em tecnologia para adaptação aos requisitos normativos da reforma Tributária.
“Em 2025 vimos a IA se consolidar nas rotinas cotidianas das pessoas e companhias, o que representa uma das maiores mudanças estruturais da história da tecnologia”, comenta. “O próximo passo é assegurar que todos os recursos sejam orientados por processos bem definidos, automatizados e confiáveis, desde uma perspectiva de políticas e ferramentas centralizadas da organização”.
A seguir, Christiano Lucena aponta quais tendências devem estar no radar dos líderes das empresas no Brasil.
1- IA continua em alta, mas precisa de processos : Há uma necessidade crítica de harmonizar a adoção da IA com fluxos de trabalho bem definidos. Esses processos são essenciais para garantir a governança, segurança, pontos de controle de conformidade e transparência necessários para gerenciar contratos e mitigar riscos de forma eficaz.
A construção de fluxos de trabalho bem orquestrados são o próximo porto seguro para as organizações. Processos servem como guias essenciais para as pessoas que utilizam a tecnologia; sem esses elementos de orientação, a IA não cumprirá sua promessa de otimizar o trabalho diário.
2- A IA amplifica o trabalho jurídico, não o substitui: Com a aceleração da IA muitos setores estão passando por uma grande mudança (entre eles o jurídico); mas a transformação dos times jurídicos com o uso da tecnologia não implica a substituição de profissionais. No que diz respeito à gestão de contratos, os recursos da IA têm o grande potencial de liberar os advogados de tarefas operacionais e repetitivas, permitindo-lhes concentrarem-se em atividades de maior valor estratégico.
O conhecimento em regulamentações e jurisprudência de especialistas jurídicos legais é essencial para o treinamento e validação da tecnologia. Além disso, esses profissionais continuarão sendo cruciais para interpretar e revisar conteúdos gerados por IA. O que muda com impacto significativo é sua eficiência. Pesquisas recentes indicam que os líderes legais já observam mais de 20% de alinhamento regulatório em rascunhos criados com IA em sistemas confiáveis de gestão de acordos.
3- Uso de tecnologia para adaptação à reforma tributária: Três anos após sua aprovação, a Reforma Tributária entrará em vigor no início de 2026. Embora haja um período de transição, também será necessário um grande esforço das empresas para revisar e adaptar todo o acúmulo de contratos e termos associados. Como todas as organizações dependem de contratos, elas devem identificar proativamente oportunidades, avaliar riscos e cumprir os novos requerimentos decorrentes dessa transformação significativa.
Impulsionadas pela IA, os recursos das plataformas de gestão contratual permitirão revisar o inventário de contratos para garantir alinhamento normativo, o que dará maior visibilidade às negociações, riscos e oportunidades. Essas capacidades serão críticas para dar mais agilidade e eficiência, pois a tarefa de revisão e adaptação será um grande desafio para organizações sem uma gestão centralizada de acordos.
Por outro lado, empresas que já automatizaram seus processos contratuais podem aproveitar o poder da tecnologia para identificar negociações que precisam de atenção imediata, redigir novos termos contratuais em conformidade com a Reforma e revisar o inventário completo de contratos para garantir a conformidade com o novo padrão.
Embora o período de transição pareça longo, dependendo do volume de acordos, iniciar esse processo deve ser uma prioridade já em 2026.
4- Verificação de identidade como nova fronteira da confiança: Conformidade e segurança são requisitos básicos. Num contexto de crescente ameaça à segurança de informações confidenciais, onde 1 em cada 4 empresas brasileiras relatam um aumento nas tentativas de fraude de dados, a verificação de identidade consolida-se como um requisito fundamental.
Tecnologias confiáveis, incluindo identificações governamentais e dados biométricos, são a próxima fronteira para a confiança, reduzindo o risco, salvaguardando investimentos e tornando a experiência do cliente mais segura.
Ao integrar a verificação de identidade e elementos biométricos aos fluxos de trabalho, em especial com a IA, a capacidade das empresas de combater a fraude melhora substancialmente. É assim que as organizações que acompanham este tema se posicionam na vanguarda neste aspecto.









