Notícias

A nova era dos carros já começou

Por Nichollas Marshell, Presidente da ICT Ideas Hub – Paraná

O mercado de carros elétricos já não é mais uma promessa. É uma realidade consolidada. A transição energética do setor automotivo está em curso, embora ainda longe de substituir completamente a frota movida a combustão. A liderança hoje é da montadora chinesa BYD, seguida pela americana Tesla. Ambas dominam a produção em escala e entregam eficiência que poucas fabricantes globais conseguiram alcançar.

Mas o que parecia ser a revolução do setor automotivo perdeu seu status de diferencial competitivo. E o motivo é simples. Desde o ano passado, quando a Tesla lançou quatro novos veículos, sendo dois deles voltados para transporte autônomo, ficou claro que o jogo mudou. Enquanto europeus e japoneses ainda correm para se adaptar ao mercado de elétricos, Elon Musk e sua equipe abriram um novo mercado: o dos veículos autônomos.

A lógica é imbatível. Carros elétricos têm manutenção mínima, são mais duráveis e suas baterias, hoje, podem ser recicladas e durar até vinte anos. A grande transformação, no entanto, está no modelo de uso. O carro autônomo permite que o veículo, ao invés de ser um bem ocioso, se torne uma fonte de receita. Com um Tesla autônomo, o proprietário poderá inserir o carro em plataformas de mobilidade como a Uber, mesmo enquanto estiver dormindo ou trabalhando. É como ter um funcionário na garagem.

E a Tesla não pretende apenas vender carros. Ela quer cobrar uma mensalidade entre cem e duzentos dólares por essa funcionalidade autônoma. Ou seja, quanto mais carros vender, mais receita recorrente a empresa terá. É um modelo de negócio completamente novo, que transforma montadoras em prestadoras de serviço. E essa visão acendeu um alerta definitivo no setor.

Estive na CES, maior feira de tecnologia do mundo, realizada em Las Vegas, e vi de perto o movimento da indústria. Foram mais de vinte lançamentos de veículos autônomos. Três chamaram atenção especial.

O primeiro foi da Mercedes, em parceria com a Nvidia. Juntas, desenvolveram um módulo de inteligência artificial embarcado, capaz de transformar qualquer carro novo em autônomo. O primeiro modelo a receber esse sistema foi o CLA 250+, o que marca um novo capítulo para a fabricante alemã.

Outra novidade veio da Tensor, uma empresa menos conhecida, que apresentou um carro totalmente autônomo, mas com a possibilidade de ser conduzido manualmente. Seu design robusto e a performance chamaram atenção de quem circulava pela feira.

A grande surpresa, no entanto, foi a Afella. Nome desconhecido até então, a marca é uma joint venture entre Honda e Sony. O modelo apresentado combina alta tecnologia com estética familiar, sinalizando que o Japão finalmente entrou com força na disputa por liderança no segmento dos autônomos. E veio para incomodar Tesla e BYD.

Se há dez anos disséssemos que as maiores montadoras do mundo seriam aquelas que fabricam carros elétricos, poucos acreditariam. Agora, estamos às portas de uma nova virada. A próxima década poderá ser marcada por um cenário onde veremos mais carros se dirigindo sozinhos do que motoristas no volante.

Apostar contra isso? Eu prefiro observar de perto, acompanhar os avanços e seguir compartilhando com vocês o que o futuro nos reserva.

 

Você também vai gostar

Leia também!