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Tentativas de fraude de identidade crescem 36,6% no Brasil e acendem alerta para uso de IA em golpes digitais

Novo levantamento da Serasa Experian mostra aumento das fraudes em cadastros digitais, avanço de grupos organizados de criminosos e crescimento do uso de inteligência artificial para tornar golpes mais convincentes

A fraude digital continua avançando no Brasil e se tornando cada vez mais sofisticada. Dados divulgados pela Serasa Experian revelam que as tentativas de fraude em processos de cadastro e validação de identidade cresceram 36,6% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Ao todo, foram registradas 1.495.696 tentativas de fraude relacionadas à identidade digital entre janeiro e março deste ano, o equivalente a uma ocorrência a cada cinco segundos. Segundo a empresa, caso essas tentativas tivessem sido bem-sucedidas, os prejuízos poderiam ter alcançado quase R$ 2 bilhões.

Os dados fazem parte da primeira edição do Mapa da Fraude, estudo criado pela Serasa Experian para acompanhar o comportamento dos criminosos em diferentes etapas da jornada digital, desde o contato inicial com potenciais vítimas até a realização de transações fraudulentas.

Segundo Eric Dhaese, vice-presidente de Autenticação e Prevenção à Fraude da companhia, o objetivo é entender a fraude como um ecossistema conectado.

“O fraudador não atua de forma linear. Ele pode começar com uma mensagem de isca, usar dados de terceiros, tentar abrir um cadastro digital, fraudar uma identidade, manipular documentos, explorar contas laranja ou partir diretamente para a transação, entre outras frentes. Com o Mapa da Fraude, passamos a organizar essa leitura integrada, mostrando como a tentativa de golpe se movimenta e em que momento busca gerar prejuízo financeiro.”

Setor financeiro continua sendo o principal alvo
O levantamento mostra que o setor financeiro permanece no centro das atenções dos criminosos. Cerca de seis em cada dez tentativas de fraude identificadas ocorreram em bancos, emissores de cartão, meios de pagamento e empresas de crédito.

Entre os segmentos analisados, o maior volume de ocorrências foi registrado em meios de pagamento, com mais de 644 mil tentativas. Em seguida aparecem telefonia, com 313 mil registros, e bancos e cartões, com pouco mais de 259 mil ocorrências.

Sudeste concentra maior número de ocorrências
A análise regional aponta que o Sudeste respondeu por 38,5% das tentativas de fraude registradas no período. Sozinho, o estado de São Paulo concentrou mais de 230 mil ocorrências, representando 15,8% de todos os casos identificados no país.

A concentração acompanha o peso econômico e populacional da região, mas também evidencia que os criminosos tendem a direcionar esforços para mercados com maior volume de transações digitais e financeiras.

População economicamente ativa é a mais visada
As fraudes também apresentam forte concentração etária. De acordo com o levantamento, 70,7% das tentativas ocorreram contra pessoas entre 17 e 60 anos, faixa que concentra a maior parte da população economicamente ativa do país.

Dentro desse grupo, a Geração Z lidera a participação nas ocorrências, seguida pela Geração X e pelos Millennials.

Golpes se tornam mais organizados
Além das fraudes ligadas à identidade digital, a Serasa Experian identificou um aumento significativo na estruturação dos grupos criminosos.

No primeiro trimestre de 2026, foram mapeados mais de 10 mil anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos, além de quase 20 milhões de mensagens associadas a golpes. O destaque ficou para o crescimento de 139% nos grupos dedicados à circulação e compartilhamento de conteúdo fraudulento.

Para a companhia, o dado demonstra que os golpes deixaram de depender exclusivamente de iniciativas isoladas e passaram a ser sustentados por verdadeiras redes de colaboração entre fraudadores.

“A fraude está cada vez mais estruturada. Não se trata apenas de uma mensagem suspeita chegando ao consumidor, mas de um ecossistema de anúncios, perfis, páginas, aplicativos e grupos que sustentam a disseminação das tentativas.”

E-commerce registra uma tentativa de fraude a cada 21 segundos
No comércio eletrônico, a situação também preocupa. Segundo o estudo, quase uma em cada cem transações realizadas no e-commerce brasileiro foi classificada como tentativa de fraude durante o primeiro trimestre de 2026. Foram mais de 368 mil ocorrências registradas no período, uma média de uma tentativa a cada 21 segundos.

As soluções antifraude evitaram prejuízos estimados em R$ 337,9 milhões. O levantamento mostra ainda que os criminosos buscam operações de maior valor: o ticket médio das tentativas fraudulentas foi de R$ 917,52, cerca de 62% superior ao valor médio dos pedidos legítimos.

A categoria Beleza liderou em volume absoluto de tentativas de fraude, seguida por Calçados e Saúde. Já quando o critério é risco proporcional, a categoria Celulares aparece no topo, com índice de 3,11%, seguida por Acessórios Eletrônicos e Eletrônicos.

Inteligência Artificial amplia sofisticação dos golpes
O relatório também aponta tendências que devem ganhar relevância nos próximos meses. Entre elas estão a expansão do modelo conhecido como Fraud as a Service, em que ferramentas e kits para aplicação de golpes são comercializados na internet, o crescimento das identidades sintéticas e o uso indevido de Inteligência Artificial generativa.

Deepfakes, perfis falsos altamente realistas e conteúdos que simulam autoridades, empresas e veículos de comunicação aparecem entre os recursos mais utilizados para aumentar a credibilidade dos golpes.

Segundo Dhaese, a IA não é necessariamente a origem da fraude, mas está tornando as operações criminosas mais escaláveis e difíceis de identificar.

“A inteligência artificial não aparece necessariamente como uma categoria estatística isolada, mas como uma tecnologia que, quando usada de forma indevida, pode ampliar escala, realismo e personalização dos golpes. Ela pode tornar páginas falsas mais críveis, mensagens mais naturais e perfis sintéticos mais difíceis de identificar. Por isso, estar um passo à frente do fraudador exige leitura contínua de dados, tecnologia e inteligência analítica em diferentes pontos da jornada.”

O cenário reforça um desafio crescente para consumidores, empresas e órgãos de segurança: à medida que a tecnologia avança, os mecanismos de prevenção precisam evoluir na mesma velocidade para impedir que ferramentas criadas para ampliar produtividade e inovação sejam transformadas em instrumentos para fraudes cada vez mais sofisticadas.

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