Artigo por Fran Heeran, vice-presidente global de Telecomunicações na Red Hat
Durante anos, o setor de telecomunicações enxergou a soberania sob o ponto de vista defensivo. Ela era tratada como um checklist de conformidade e um (compreensível) requisito regulatório para as redes de telecomunicações.
Após reuniões com diversos clientes ao redor do mundo, tanto no MWC quanto no Red Hat Summit deste ano, uma conclusão clara é que a era defensiva acabou, e a soberania representa uma nova oportunidade de negócios com a qual os provedores de serviços podem se diferenciar.
Hoje, soberania significa controle como moeda de troca e fator de diferenciação. Em um mundo em que a IA é o novo motor do crescimento, a capacidade de garantir e manter a residência dos dados, a autonomia operacional e a independência tecnológica é uma grande vantagem competitiva para um provedor de serviços.
Mas a soberania não é um produto único que você compra na prateleira. É um conjunto de capacidades estratégicas construídas sobre uma base aberta, consistente e automatizada. A Red Hat fornece essa base unificada com o Red Hat OpenShift, o Red Hat Enterprise Linux, Red Hat Ansible Automation Platform e Red Hat AI, capacitando as organizações a construir e escalar dentro de suas próprias fronteiras e em ambientes de nuvem híbrida, nos seus próprios termos.
Consistência como solução para as barreiras da soberania
Muitos no setor ainda estão navegando pela fase de racionalização do 5G. Embora o 5G tenha sido um sucesso técnico, o retorno sobre o investimento (ROI) comercial avançou mais lentamente do que o previsto. Um dos principais motivos é que, como setor, passamos tempo demais construindo pilhas isoladas que se tornaram cada vez mais caras de manter e ineficientes para escalar.
À medida que olhamos para o 6G e para a rápida ascensão da IA, devemos aprender com essa experiência anterior. A fragmentação cria silos com gestão de ciclo de vida onerosa e agilidade de negócios limitada. Uma base unificada e consistente é a única forma de romper essas barreiras e tornar os serviços soberanos B2B comercialmente viáveis. Hoje, a maioria das empresas é consumidora de tokens, pagando provedores externos toda vez que executa uma consulta de IA. O crescimento da IA agêntica fará esse custo aumentar exponencialmente. Portanto, para capturar essa oportunidade e gerar margens reais, os provedores de serviços precisam se tornar provedores de tokens, executando sua própria inferência em uma camada comum de infraestrutura soberana, onde os dados permanecem locais e os custos permanecem previsíveis. Ao se tornar um provedor de tokens sobre uma infraestrutura soberana consistente, o provedor de serviços transforma um “checklist de conformidade” em um mecanismo de receita de alta margem.
Veja o que estamos fazendo com a Telenor AI Factory. A Red Hat fornece a base aberta e horizontal com o Red Hat OpenShift, Red Hat OpenShift AI e Red Hat Ansible Automation Platform, permitindo que a Telenor AI Factory construa um ambiente soberano para as cargas de trabalho mais sensíveis da Noruega. Ao ser proprietária da plataforma, a Telenor AI Factory oferece um ambiente soberano, centrado em segurança e de alto desempenho, onde as empresas podem desenvolver IA sem perder o controle sobre sua propriedade intelectual. Da mesma forma, a Orange Business integrou o Red Hat OpenShift ao Cloud Avenue, sua plataforma de nuvem soberana, permitindo que os clientes modernizem suas aplicações enquanto mantêm controle total sobre seus dados e sua infraestrutura.
Automação: a base da autonomia operacional
Se a consistência é a essência da economia digital, a automação é o que a torna escalável. Você não pode ter nem oferecer soberania se depender de verificações manuais ou de entidades externas para manter tudo funcionando.
A verdadeira soberania inclui autonomia operacional — a capacidade de operar sua rede e seus serviços independentemente de mudanças externas. E é aqui que a interseção com as redes autônomas se torna crítica. Por meio da automação inteligente da Red Hat, estamos ajudando os provedores de serviços a migrar de operações manuais para redes inteligentes autônomas com operação sem intervenção humana (zero-touch). Isso significa utilizar automação de ciclo fechado baseada em IA para escalonar recursos automaticamente e realizar autocorreção (self-healing). Sua rede pode gerenciar seu próprio desempenho e estabilidade, proporcionando a confiabilidade necessária para lançar novos serviços B2B em escala.
O Red Hat Ansible Automation Platform apoia essas estratégias de soberania ao fornecer uma abordagem consistente para a gestão do ciclo de vida de dispositivos, redes e aplicações. Quando você automatiza todo o ciclo de vida, do rádio ao núcleo da rede, elimina os pontos de verificação manuais que drenam suas margens. É isso que vemos na Telenet Business, na Bélgica. Ao reestruturar sua nuvem privada com Red Hat OpenShift Virtualization e uma camada comum de automação, a Telenet Business está se afastando da complexidade e do atrito dos ambientes legados isolados. A empresa estabeleceu uma base unificada e controlada localmente para máquinas virtuais e containers, ajudando a compensar o aumento dos custos globais de infraestrutura e a acelerar a oferta de serviços de nuvem soberana.
O ano de 2026 será aberto ou fechado?
Na Red Hat, acreditamos em oferecer uma ampla gama de opções de infraestrutura combinadas com liberdade de escolha de aplicações. Se você trocar seus sistemas legados de hardware por novas pilhas proprietárias de IA, não terá conquistado soberania; apenas terá trocado de proprietário. Seja ajudando parceiros como a IBM a construir um núcleo soberano, seja viabilizando o Google Cloud Dedicated para mercados regulamentados, o papel da Red Hat é ser a camada consistente que oferece flexibilidade e autonomia de decisão.
O setor está olhando para IA e automação como formas de otimizar custos e criar novas fontes de receita. Nós, da Red Hat, queremos fornecer as plataformas que ajudam nossos clientes a alcançar a máxima eficiência.
A soberania é a base da confiança sobre a qual toda a economia da IA será construída. Os provedores de serviços que irão vencer em 2026 serão aqueles que deixarem de enxergar a soberania como um custo para fazer negócios e passarem a vê-la como o serviço premium de que seus clientes precisam.







