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Upskilling, reskilling e lifelong learning: ingredientes para empregabilidade

Artigo por Weysller Matuzinhos, pesquisador do Think Tank da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), Diretor da Faculdade SENAI Fatesg, Líder das Ações do Núcleo de Inteligência Artificial Aplicada do SENAI Goiás e doutorando pela Universidade Federal de Goiás (UFG)

Em 22 de janeiro de 1942, o Governo Federal do Brasil promulgou o Decreto-Lei nº 4.048, trazendo explicitamente em seu texto a preocupação com o “aperfeiçoamento ou especialização profissional”. Mais de oito décadas se passaram e, embora o vocabulário corporativo tenha se modernizado, a essência daquela lei continua idêntica. Quando o mercado atual debate termos como upskilling (aprimoramento), reskilling (requalificação) ou lifelong learning (aprendizado contínuo), ele está, no fundo, remetendo à mesma necessidade histórica: a urgência de se atualizar para continuar ativo e relevante.  

Falar sobre esses três conceitos é falar sobre sobrevivência diante dos desafios que a Indústria 4.0 nos impõe. No entanto, em um cenário dominado por algoritmos e Inteligência Artificial, a busca por instituições consolidadas e de confiança para essa qualificação tornou-se uma estratégia para não perder tempo, nem dinheiro. O profissional deste Século XXI não pode se transformar em um refém passivo de respostas prontas da máquina. É o aprendizado contínuo que mantém a agilidade cognitiva, a independência crítica e a autonomia ativa.  

Mas pensando na longevidade profissional a longo prazo, no que realmente devemos nos concentrar? Diante de tantas fontes, indicadores e perspectivas tecnológicas complexas, qual caminho seguir?  

A resposta para liderar essa transição digital pode estar guardada em um conceito clássico que em 2015, os debates do Fórum Econômico Mundial (WEF) resgataram; me refiro a um modelo estruturado originalmente em 1981 pelo psicólogo Lewis Goldberg que consolidou uma série de características no termo “big five”, os cinco grandes fatores da personalidade. Traduzidos para uma versão didática e corporativa, esses fatores manifestam-se como: criatividade, senso de dever, sociabilidade, cooperativismo e vulnerabilidade ao estresse.  

Mas o que a nossa personalidade profunda tem a ver com a nossa capacidade de aprender novas tecnologias? A resposta é: tudo.  

As ferramentas digitais e os cursos de aperfeiçoamento fornecem as chamadas hard skills, as competências técnicas, mas são os traços do big five que funcionam como os motores comportamentais e psicológicos que manterão essa máquina, a mente, ativa e em aprendizado contínuo. São eles que determinam, na prática, se um profissional vai conseguir se adaptar com resiliência ou se vai estagnar frente às rupturas do mercado.  

O profissional dotado de alta abertura e criatividade, por exemplo, busca o conhecimento por prazer e iniciativa própria, o que serve de combustível natural para o upskilling. Diante de uma nova inteligência artificial ou de um processo inteligente na linha de produção, sua reação imediata não é o medo ou a negação, mas sim uma curiosidade genuína para decifrar como a ferramenta opera.  

Por outro lado, o processo de aprender uma nova profissão do absoluto zero, reskilling, ou de elevar o próprio teto técnico exige esforço e disciplina. É aqui que entra o senso de dever, conscienciosidade. O profissional que possui esse traço bem desenvolvido cumpre cronogramas, senta-se para estudar mesmo após um dia exaustivo de trabalho e encara a qualificação contínua como uma responsabilidade profissional inegociável para a manutenção de sua empregabilidade.  

A verdade é que a indústria continuará nos impondo o ritmo do aprimoramento e da requalificação. No entanto, essas estratégias educacionais não ocorrem no vácuo. O sucesso da jornada profissional na era dos algoritmos depende diretamente de como gerenciamos os nossos comportamentos.  

Para mantermos a nossa empregabilidade viva, precisaremos, mais do que nunca, calibrar nossos ingredientes humanos: a criatividade para querer aprender, o senso de dever para persistir nos estudos, a sociabilidade e o cooperativismo para aplicar esse conhecimento em equipe e, fundamentalmente, o manejo da nossa vulnerabilidade ao estresse para não sucumbir à velocidade da revolução tecnológica. 

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