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“Skygatos” não valem o risco — e podem comprometer sua segurança

O uso de TV Boxes piratas continua crescendo no Brasil, mas a vida útil desses aparelhos costuma ser curta — e o prejuízo, muito maior do que parece. Um levantamento recente da Anatel mostra que mais de 8 milhões de produtos de telecomunicações irregulares foram retirados do mercado entre 2018 e outubro de 2025. A maioria deles são dispositivos usados para acessar ilegalmente canais pagos e plataformas de streaming, os famosos “skygatos”.

Apesar de prometerem centenas de canais por um preço irrisório, esses equipamentos dependem de servidores clandestinos, que frequentemente são bloqueados em operações nacionais e internacionais. É justamente esse bloqueio — e não a internet do usuário — que provoca travamentos repentinos, queda de aplicativos e telas congeladas.

Nos últimos meses, uma operação na Argentina derrubou mais de 30 serviços de streaming pirata, afetando milhares de brasileiros que, de um dia para o outro, ficaram sem acesso. O reflexo imediato foi o aumento de reclamações contra provedores de internet, embora eles não tenham qualquer relação com os serviços irregulares.

“Quando um serviço pirata cai, o usuário tende a culpar a internet. Mas, tecnicamente, o que acontece é que os servidores clandestinos são bloqueados ou simplesmente deixam de operar”, explica Marcelo Letti, diretor técnico da Unetvale, um dos principais provedores de internet de Santa Catarina. “É comum verificarmos que tudo funciona normalmente — YouTube, streaming oficial, navegação — e apenas o aplicativo pirata está fora do ar.”

Segurança em risco: muito além do travamento na tela
A instabilidade é só o começo do problema. Como não passam por qualquer teste de segurança, muitos desses aparelhos vêm com softwares adulterados, brechas de invasão e até malwares instalados de fábrica, capazes de capturar senhas, dados pessoais e informações bancárias.

“Esses dispositivos abrem portas na rede doméstica que o usuário não consegue ver. É um risco digital enorme dentro da própria casa”, alerta Letti.

Além disso, não há suporte técnico, garantia, atualizações de segurança ou qualquer transparência sobre quem opera o serviço ou como os dados do usuário são tratados. Tudo isso transforma a promessa de economia em um prejuízo financeiro e de privacidade.

Como evitar problemas
Segundo a Unetvale, a regra de ouro é simples: desconfie de qualquer oferta que prometa acesso ilimitado a canais pagos por valores muito baixos, especialmente quando o aparelho não é homologado pela Anatel — algo obrigatório para garantir padrões mínimos de qualidade e segurança.

“Optar por serviços oficiais de streaming, TV por assinatura ou aplicativos autorizados é a única forma de assegurar estabilidade, qualidade de imagem e proteção de dados”, reforça Letti.

No fim das contas, o barato dos “skygatos” quase sempre sai caro — não só no bolso, mas na segurança digital de toda a família.

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