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Resfriamento líquido pode reduzir até 40% do consumo de energia em data centers

O uso da água nos data centers tem sido tema de debates nos últimos anos. Isso acontece em um cenário onde grandes volumes são necessários para manter esses centros de processamento de dados, responsáveis por garantir o funcionamento do ambiente digital.

A água é essencial para resfriar as estruturas devido ao processamento de dados em larga escala. No entanto, essa necessidade gera preocupação, já que os dados indicam um consumo elevado que pode causar impactos negativos ao planeta a longo prazo.

Nesse contexto, o resfriamento com água em estado líquido surge como uma alternativa capaz de reduzir o consumo de energia em até 40%. Essa prática integra uma série de iniciativas que buscam tornar o uso da água mais sustentável em nível global.

Resfriamento líquido é alternativa eficiente
Um estudo divulgado pelo Open Compute Project (OCP) detalha as vantagens do resfriamento líquido nos data centers. Esse método é energeticamente mais eficiente porque, no estado líquido, a transferência de calor pode ser até 50 vezes mais eficaz.

Além de utilizar menos água, esse sistema reduz os custos com energia elétrica, já que aparelhos como ar-condicionado e ventiladores precisam funcionar menos para manter a temperatura adequada.

A prática também diminui a pegada de carbono, promovendo maior sustentabilidade no processo. Por isso, a longo prazo, o resfriamento líquido se revela uma solução eficiente para reduzir o consumo energético em diferentes aspectos.

O estudo destaca ainda outros benefícios, como a redução de ruídos devido à menor necessidade de ventilação e o desgaste menor dos equipamentos, já que esse método minimiza as variações de temperatura.

Uso de água em data centers vem aumentando
Como recurso fundamental para controlar o calor gerado pelos data centers, o consumo de água aumentou de forma exponencial nos últimos anos. A principal razão é o crescimento da inteligência artificial, que exige muito mais energia.

Por exemplo, o Google divulgou um relatório informando que 20 bilhões de litros de água foram utilizados somente em seus data centers. Além disso, a projeção é de que o aumento no consumo causado pela inteligência artificial tenha sido de 20%.

Em contrapartida, a empresa também planeja usar esse recurso de forma mais consciente. Até 2030, a meta é devolver ao meio ambiente cerca de 120% da água consumida.

Inovações também surgem para enfrentar esse alto consumo, como no caso da startup irlandesa Nexalus. Ela desenvolveu um sistema que utiliza água líquida e quente para resfriar chips diretamente, por meio de pequenos jatos de água aplicados nos componentes.

Campanha destaca a necessidade de soluções sustentáveis
O resfriamento líquido é um dos temas de uma campanha sobre o impacto ambiental dos data centers, promovida pela Hostinger. A iniciativa visa ampliar debates e incentivar um consumo energético mais consciente no setor tecnológico.

A Hostinger atua no segmento de hospedagem de sites e, ao identificar um consumo excessivo de energia em seus data centers, investiu em novas estratégias sustentáveis.

Desde 2024, 100% da energia utilizada pela empresa é renovável, uma meta inicialmente prevista para 2026. Rafael Hertel, Country Manager da Hostinger no Brasil, detalha outros planos de sustentabilidade em entrevista.

“Na Hostinger, acreditamos que inovação sem sustentabilidade deixou de ser uma opção. Concluir a transição para 100% de energia renovável em nossos data centers em 2024 é reflexo de um compromisso contínuo com a eficiência e o planeta. Nosso papel é liderar pelo exemplo, mostrando que é possível oferecer performance e escalabilidade com responsabilidade ambiental”, explica Rafael.

Para os próximos anos, tanto o consumo de água quanto o de energia elétrica podem ser limitados caso a atual forma de uso continue. Por isso, soluções sustentáveis devem ganhar espaço para garantir o avanço tecnológico sem comprometer o meio ambiente.

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