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Biometria ajuda a reduzir em mais de 40% os casos de tráfico humano no Brasil

O tráfico de pessoas é um crime que depende, em grande medida, do roubo de identidade, do apagamento da existência civil das vítimas e da travessia clandestina de fronteiras. Nesse cenário, a biometria vem se consolidando como um novo padrão global de segurança, ao permitir a verificação precisa da identidade de indivíduos com base em características físicas únicas, como impressões digitais e traços faciais. No Brasil, os resultados já são concretos: dados oficiais indicam que os casos de tráfico humano caíram 44% nos últimos três anos, em comparação com o período até 2022.

A redução é atribuída a um conjunto de iniciativas estruturantes adotadas pelo governo brasileiro, entre elas o IV Plano Nacional de Combate ao Tráfico de Pessoas (IV PNETP) e a implementação da Carteira Nacional de Identidade (CIN), que passou a unificar o registro civil no país. Apesar dos avanços, o problema segue presente. Os dados mais recentes apontam 362 vítimas oficialmente identificadas, sendo 207 homens, 155 mulheres e 67 crianças — números que reforçam a complexidade e a urgência do tema.

Um dos principais avanços trazidos pela biometria é a possibilidade de inclusão de pessoas que historicamente ficaram à margem dos sistemas de identificação, como imigrantes, refugiados e deslocados internos. Esses grupos, muitas vezes sem documentos oficiais, figuram entre os principais alvos de redes de tráfico humano. O cadastro biométrico único reduz drasticamente a vulnerabilidade dessas populações ao impedir múltiplas identidades e registros fraudulentos.

Historicamente, o Brasil enfrentou fragilidades na identificação civil devido à fragmentação do sistema, que permitia a emissão de documentos distintos em cada um dos 27 estados. Esse cenário favorecia a chamada “lavagem de identidade”, na qual documentos legítimos eram emitidos com dados falsificados em diferentes unidades da federação. A CIN busca eliminar esse risco ao adotar o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) como número único nacional, aliado à coleta de dados biométricos de impressões digitais e reconhecimento facial, validados junto ao banco de dados da Justiça Eleitoral. Segundo dados governamentais, até meados de 2025, mais de 30 milhões de brasileiros já haviam emitido a nova identidade.

O desafio, no entanto, ganhou novas camadas com o avanço da tecnologia. O último Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas revela que a internet se tornou um dos principais canais de recrutamento de vítimas no Brasil. No tráfico para exploração sexual, as redes sociais responderam por 52% dos casos registrados. Já no tráfico para trabalho forçado, o recrutamento online aparece em segundo lugar, com 26%, praticamente empatado com o aliciamento feito por conhecidos, que lidera com 28%.

É nesse contexto que soluções tecnológicas mais acessíveis ganham relevância. A Identy.io, empresa global especializada em verificação biométrica e credenciais digitais, desenvolveu uma tecnologia de reconhecimento facial e de impressões digitais sem contato, capaz de operar utilizando apenas a câmera e o flash de um smartphone comum, inclusive modelos básicos. A solução dispensa qualquer hardware adicional e permite a identificação imediata de indivíduos com alto grau de precisão, mesmo em ambientes remotos ou com infraestrutura limitada.

O tráfico de pessoas segue sendo um dos crimes mais complexos enfrentados pelas autoridades, envolvendo recrutamento, transporte, abrigo e exploração de indivíduos por meio de fraude, coerção, abuso de poder ou exploração de vulnerabilidades. As formas mais recorrentes incluem exploração sexual, trabalho forçado e, em casos extremos, remoção de órgãos — todas graves violações de direitos humanos.

A unificação dos bancos de dados biométricos em nível nacional representa um avanço decisivo nesse enfrentamento. Ela impede, por exemplo, que uma pessoa sequestrada em um estado seja registrada em outro com uma nova identidade. Além disso, a geração de um QR Code exclusivo nos documentos dificulta fraudes documentais e permite a verificação da autenticidade em tempo real, inclusive em operações de fronteira.

Segundo Jesús Aragón, CEO da Identy.io, a tecnologia foi pensada desde o início para enfrentar desafios sociais críticos. “Nosso objetivo ao desenvolver a Identy.io sempre foi criar uma solução de identificação biométrica que fosse não apenas tecnologicamente avançada, graças à sua operação sem contato e ao fato de exigir apenas um smartphone padrão, mas também capaz de abordar questões importantes como fraude e tráfico de pessoas, garantindo a identidade de cada indivíduo e sua proteção contra qualquer tipo de exploração forçada.”

A adoção de soluções biométricas seguras, escaláveis e acessíveis está alinhada às diretrizes do IV PNETP, que estabelece a integração tecnológica e a cooperação internacional como pilares no combate ao tráfico humano. Em vigor até 2028, o plano rendeu ao Brasil o reconhecimento como País Pioneiro da Aliança 8.7, iniciativa vinculada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU voltada à erradicação do trabalho infantil, do trabalho forçado, da escravidão moderna e do tráfico de pessoas.

Nesse esforço global, a Identy.io também atua em parceria com a The Exodus Road, organização internacional sem fins lucrativos especializada no enfrentamento ao tráfico humano. A empresa doou sua tecnologia de reconhecimento biométrico sem contato para apoiar investigações e acelerar o resgate de vítimas, reforçando o papel da identidade digital como ferramenta central na proteção de vidas.

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