A tecnologia evolui à passos largos e rápidos. Vemos o aparecimento de novas técnicas de fabricação de componentes, que os deixam cada vez menores e mais rápidos, novas maneiras de interagir com as máquinas e até novos formatos de computadores! Em geral, são poucos os nichos nesta área que passam grandes períodos de tempo sem inovações relevantes. E um destes mercados é o de armazenamento.
Essencialmente, os computadores guardam suas informações em cárater permanente da mesma maneira que faziam há… 20 anos, por exemplo. Os HDs (hard disks ou discos rígidos) não passaram por grandes atualizações neste período. Apenas aumento de capacidade e diminuição de tamanho. Como uma evolução deste componente tão importante, em meados de 2007 apareceram no mercado os SSDs (Solid State Drive ou Unidade de Estado Sólido).
Desde então, os SSDs se popularizam, diminuiram seu preço, e já são relativamente comuns em computadores portáteis, principalmente nos novos ultrabooks. Como vantagem em relação aos HDs, eles apresentam tempos de acesso bem menores, bem como de leitura e gravação de dados, menor consumo elétrico, mais silencioso, mais resistente à impactos e apresenta menos defeitos de hardware, por não conter partes móveis.
Porém, alguns mitos se formaram em torno deste componente, como que ele tem uma vida útil muito curta, devido ao número limitado de escritas que podem ser realizadas. Bem, com este artigo, pretendemos esclarecer este e outros pontos a respeito dos SSDs.
Breve explicação sobre as memórias Flash
A principal característica dos SSDs, e que acaba sendo também seu principal diferencial em relação aos HDs, é que ele usa memórias flash, em vez de pratos magnéticos. Falando à grosso modo, seu funcionamento é semelhante a de um pen drive ou cartão de memória.
Diferentemente do que muitos podem pensar, existem vários tipos de memória Flash. As usadas na maioria dos SSDs, bem como pendrives e cartões de memória, é uma chamada Flash NAND. Ela oferece tempos muito pequenos de leitura e gravação de dados. Internamente, ela trabalha com o conceito de páginas, que por sua vez são agrupadas em blocos. Cada página possui 4 KB de tamanho, e cada bloco agrupa 128 páginas.
As páginas são o equivalente aos clusters dos HDs magnéticos. Essa arquitetura faz com que o dispositivo trabalhe de maneira semelhante a um HD, ou seja, tem a capacidade de guardar dados, mas para eles serem executados, precisam ser carregados na memória RAM. Assim, para o sistema operacional, um HD e um SSD trabalham da mesma forma.
As Flash NAND dispõem de duas tecnologias: a SLC (Single-Level Cell) e a MLC (Multi-Level Cell). Na primeira, como o nome sugere, ela só armazena um bit (0 ou 1) em cada célula. Já a segunda, armazena dois bits em cada célula. Isso permitiu o surgimento de SSDs de maior capacidade, sem aumentar os custos. Outra tecnologia amplamente usada nos chips de memória Flash NAND, é uma chamada Die-Stacking. Essa técnica consiste em empilhar vários chips, conectá-los entre si e selá-los dentro de um mesmo encapsulamento. Isso permitiu baratear ainda mais a fabricação dessas memórias.
Por que os SSDs são tão mais rápidos que os HDs
Como expliquei acima, os SSDs funcionam de forma muito semelhante aos pen drives. A maioria esmagadora usa chips de memórias Flash NAND MLC com 10 canais de comunicação. Assim, o fabricante coloca 10 chips de memória na placa, os de maior capacidade usam 20.
Assim, toda vez que você vai gravar um arquivo, o controlador divide esse arquivo em 10 partes iguais, e grava cada uma delas em um chip diferente. Da próxima vez que você for acessar este arquivo, ele será acessado pelos 10 canais de comunicação, simultaneamente. Um processo semelhante ao RAID, usado nos HDs convencionais quando se quer aumentar a performance.
Outro motivo que contribui para o alto desempenho dos SSDs, é que neles são usados controladores mais inteligentes, o que permite que as tarefas de gravação e leitura sejam organizadas de maneiras muito mais eficientes e rápidas.
Além disso, o dispositivo reserva uma área muito grande para o buffer, o que dá direito ao controlador de “cachear” muitas operações. Para você ter uma ideia, em situações favoráveis, um SSD pode chegar a taxas de leitura de 250 MB/s! E taxas de escrita de 80 MB/s, muitas vezes atinge 160 MB/s. E notem que estes não são números teóricos, são obtidos na prática e com uma certa frequência.
O mito da baixa vida útil dos SSDs
Em geral, existe um mito entre os que não conhecem bem os SSDs, que reza que eles têm pouca vida útil e com pouco tempo de uso ele não pode mais gravar dados. Bom, em parte, esse mito tem um fundo de verdade. Explicarei melhor. Apesar de terem um número de leituras virtualmente ilimitado, os SSDs possuem um número de regravações pequeno, se comparados com os HDs.
Os chips baseados na tecnologia SLC suportam até 100.000 regravações. Os chips MLC, que são os mais usados, permitem apenas 10.000 processos de escrita. Pouco, né!? Não. Para você ter uma ideia, para esgotar o número de 10.000 gravações em um SSD de 80 GB, você teria de gravar 800 TB de dados. Normalmente, um usuário comum grava cerca de 40 GB por dia. Para ele esgotar a capacidade, levaria 60 anos! Em 60 anos, talvez nem o usuário esteja mais “funcionando”, o que dirá do dispositivo. Mas enfim, para nós, usuários, é praticamente impossível esgotar o número de gravações.
Isso só é possível devido à arquitetura interna do SSD. Como falei acima, os dispositivos funcionam usando o conceito de páginas. Há um algoritmo, chamado de wear leveling (distribuição de uso) que garante que cada página só será sobrescrita depois que todas as outras tiverem sido usadas pelo menos uma vez. Assim, o algoritmo garante uma uniformidade no processo de escrita, e todas as páginas são usadas igualmente.
Mas claro, os fabricantes não vão colocar no rótulo de seus produtos que eles duram 60 anos. Visto que eles levam em conta um número muito grande de fatores externos e variáveis, a maioria costuma informar que a vida útil dele é de 5 a 10 anos, o que não deixa de ser um bom número.
Além do mais, as memórias Flash podem guardar dados sem precisarem de alimentação elétrica por uns bons 10 anos. Portanto, não se preocupe com a vida útil de seu SSD, caso esteja pensando em comprar um.
SSD precisa de desfragmentação?
Não. Essa é a resposta curta e grossa. Mas é importante falarmos algumas coisinhas necessárias. Apesar de não sofrerem queda de desempenho com a fragmentação dos arquivos, os SSDs também sofrem com a passagem do tempo. Assim, SSDs novos apresentam desempenho melhor que os usados.
Como explicado anteriormente, os SSDs só voltam a gravar numa página depois que todas as páginas já tiverem sido usadas. Isso tem um motivo. Diferentemente dos HDs convencionais, que podem simplesmente sobrescrever as informações no cluster, os SSDs primeiro têm de apagar toda informação gravada na página e deixá-las no estado original.
O problema, é que eles não podem apagar páginas isoladas, independentes. Para eles apagarem uma única página, eles têm de apagar todo o bloco de 128 páginas, do qual eu falei no início deste artigo, lembra? E se já houverem dados válidos neste bloco de páginas, o processo fica bem demorado. Porque a controladora terá de ler todos os dados do bloco, copiá-los para o buffer, fazer a limpeza no bloco, fazer a alteração dos dados no buffer e só então grava os arquivos no bloco novamente. Tudo isso para fazer uma única alteração. Por isso, depois de alguns meses de uso, quando todas as páginas já tiverem sido usadas, o desempenho dos SSDs cai, como se eles estivessem fragmentados. Só que claro, só o sintoma que é semelhante, mas o motivo, como visto, é outro.
Mas calma que tem solução. Essa queda brusca no desempenho dos dispositivos, às vezes até de mais de 50%, gerou um grande burburinho entre os usuários e grandes empresas, que exigiram uma solução por parte das fabricantes. Depois de algumas gambiarras, foi lançada uma solução definitiva. É o comando TRIM, que consiste em permitir que o próprio sistema operacional execute a limpeza das páginas que foram alteradas. Assim, sempre haverá páginas livres para a controladora fazer seu processo de escrita, e ele não perderá mais tempo tendo de apagar todo o bloco de páginas. O problema, é que este comando só é suportado pelo Windows 7, e pelas distribuições Linux cujo Kernel seja um dos mais recentes. O que deixa de fora uma boa fatia de usuários.
Finalizando
Com este artigo, esperamos ter elucidado algumas dúvidas e alguns mitos que rondam este componente, bem como ter aumentado o seu conhecimento sobre o assunto. Como vimos, existem muitas vantagens em se usar um SSD em detrimento de um disco rígido, porém, como tudo na informática, você deve saber usar corretamente. Não compre um SSD para armazenar seus filmes pornôs e seus arquivos pessoais. Visto que os SSDs podem lhe oferecer tempos de leitura e escrita bem mais baixos, e um menor tempo de boot, use-o para instalar o sistema principal e os seus programas, a diferença de desempenho é brutal!
Já o HD, aí sim, desfrute de seu amplo espaço de armazenamento e velocidade para ler arquivos sequenciais e jogue dentro toda a sua coleção de filmes, músicas, fotos e toda sorte de arquivos. Já podemos encontrar facilmente no mercado SSDs de baixa capacidade, como 40 GB por exemplo, que pode muito bem ser usado com esta finalidade. Combine-o com um grande HD e voilá, aumente o desempenho de seu computador! Espero que tenha gostado do artigo e até a próxima semana!















Cara, FANTÁSTICO post. Vou até me organizar para comprar um SSD até o final do ano – estava com medo do mito da vida útil, rsrsrs…
UsandoÔpa Moisés, tudo bem?
UsandoMuito obrigado pelo elogio, cara. Fico feliz que gostou do post e que realmente consegui desmistificar o lane da vida útil dos SSDs.
Se tiver condições, compre um SSD que vai valer a pena.
Abraços!
Estou louco pra comprar um SSD pra minha máquina. Mas os preços ainda não ajudam. =/
UsandoEntão somos dois, Luiz Alberto.
UsandoUm SSD aqui no meu computador iria ajudar bastante! Mas enquanto não dá pra eu comprar, vou me aguentando com meus dois HDs aqui mesmo.
O que não anda ajudando é o preço dos HDs, comprei um PC a pouco tempo, coloquei um SSD de 60Gb e por enquanto estou só com um HD externo, preferi pagar o preço caro porém normal do SSD do que o preço absurdo que está o HD hoje.
UsandoOs HDs estão caros devido àquelas enchentes ocorridas na Ásia, afetando justamente praticamente todas as fábricas de HDs.
UsandoAí o preço, que estava bem baixo, subiu vertiginosamente. Eu, como trabalho dando assistência técnica para inúmeras pessoas, estou encontrando muita dificuldade de encontrar HDs para venda avulsa, na unidade. E quando encontro, acima dos R$ 200,00. O negócio está complicado, realmente.
Abraços!
Muito boa a matéria, está tudo bem explicado, só gostaria de ressaltar que ja temos no mercado discos SSD que alcaçam taxas de até 525 MB/s de leitura e 500 MB/s de gravação como é o caso do OCZ Agility 3 (http://www.ocztechnology.com/ocz-agility-3-sata-iii-2-5-ssd.html) que eu comprei e estou muito satisfeito. Outra dica para para quem for comprar um SSD é na hora da instalação. De preferência antes de instalar o sistema deve-se alterar no setup da placa mãe a configuração do SATA de IDE para AHCI. Não sei se são todos os casos, mas pelo menos no meu caso que é um SSD de alto de desempenho e utilizando o SATA 6GB/s fez uma grande diferença. Outro ajuste para quem quer melhorar o tempo de inicialização do Windows é alterar o msconfig.exe para usar todos os nucleos do seu processador durante a inicialização.
UsandoOlá Igor Campbell!
Usando_
Fico feliz que tenha gostado da matéria, cara! =D
Valeu pelas dicas adicionais, realmente eu não sabia desses detalhes, que a configuração da placa-mãe podia limitar a velocidade dos SSDs de mais desempenho.
Vou me lembrar disso na próxima vez que for instalar um SSD.
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Abraço!
Só compro uma máquina nova daqui uns 3 anos (já que a minha é nova). Acho que até lá os preços tendem a cair muito e SSD será um item obrigatório para PCs medianos para cima.
UsandoDeus lhe ouça.
UsandoTinha que ser o post do Filipi, parabens mandou bem,parabens:.
UsandoHahahahaha!!!
UsandoValeu cara, muito obrigado. É muito gratificante e recompensador quando os leitores gostam dos nossos posts. =)
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Valeu!
Ótimo artigo.
UsandoSSD é aquela coisa que dá “sustos” na gente, pois estamos acostumados com a lentidão dos HDs e quando passamos
a utilizar o novo tipo, a instalação de qual-
quer programa parece que chega ficar umas cinco vezes mais rápida. No caso do XP que demorava uns trinta minutos, ou mais, para se acomodar na máquina, agora gasta pouco mais de dez minutos.
Na minha máquina atual, estou usando um Intel de 80 GB com o Mandriva, já,
há dois anos e recentemente, um Kingston de 128 GB, onde fica o XP, em lugar de um Seagate 750 GB, que
começou a dar sinais de “Bad” no smart.
Se depender de mim, nunca mais retrocedo aos Hard Disk Drives.
Felipe, você é o cara!!! Já detenho um farto conhecimento da tecnologia de SSD e mesmo assim li o seu Post. A sua forma de escrever é contagiante. Além de objetividade e clareza, a sua “técnica” sempre instiga a leitura do próximo parágrafo. Não há ancoradouro antes do término do Post. Parabéns!
UsandoAh, para a parte 2 desse Post, sugiro abordar as memórias Assíncrona x síncrona x manipulação de arquivos compactáveis x arquivos compactados. A diferença de desempenho é gritante.
Abraço,
Edvaldo – Brasília DF
Excelente!!! Bastante esclarecedor.
UsandoParabéns a toda equipe pelos serviços prestados a nossa comunidade autodidata.
Comprei um ssd e o que digo que ele e super fantástico, pena que o meu ssd perdeu metade da velocidade do nada mais continua perfeito. Meu boot era de 2:50 passou para 0:50 mesmo com a perda da velocidade. Instalei o adobe menos de 8 minutos gastava 1 hora para instalar.
UsandoUm grande problema que vejo por ai, é na hora da aquisição do dispositivo de armazenamento. A maioria utiliza como critério de avaliação o PREÇO e “ESPAÇO INFORMADO”.
Antes de migrar de um HD para um SSD, fiz um levantamento do que eu realmente iria utilizar. Então optei por um Corsair Force 3 SSD Sata 3 de 64gb, onde desembolsei R$420.
Utilizo bastante coisa:
Microsoft Windows 7 Ultimate Edition
Microsoft Office Professional
Adobe Master Collection 5.5
Internet Explorer, Mozilla Firefox, Google Chrome, Opera, Safari e Netscape
e alguns outros pequenos softwares como Filezilla, phpDesigner, jDownloader, VLC Player, etc…
e ainda por cima possuo 29,5 GB livres… espaço suficiente para baixar um filminho e assistir. Música hoje em dia, para quem tem internet, assiste direto do youtube mesmo.
UsandoMuito show os SSDs, só estou esperando baixar um pouco o preço e já vou comprar uns 2.
UsandoEssa matéria do Morimoto mostra que a vida curta dos SSDs não é mito.
Usandohttp://www.hardware.com.br/noticias/2012-02/ssds-condenados.html
Agora que ja sei disso, o jeito é esperar diminuir o preço. Que seja breve
Usandovaleu um texto grande desses… tinha que ser bom so que é caro um hd desses ;/
UsandoBem, eu acredito que vamos primeiro que os hds. Afinal ainda tenho um de 2gb rodando tranquilo.
UsandoSanta mãe de Deus
Usandohttp://www.cuantocabron.com/images/templates/mother-of-god-template.jpg
UsandoWindows 3.11?? PUTZ!
UsandoEvasao escolar provoca deficiencia educacional no brasil
UsandoExcelente artigo, realmente conseguiu tirar minhas curiosidades em relação à muitos assuntos, 60 Anos é um tempo interessante de duração, acredito (espero) que o HD vá primeiro
UsandoÒtimo Post amigo. Estou usando ssd ate no meu hd externo. Sò nao abandonei ainda os HDs de vez, pq os ssd que ainda compensam comprar aqui no br sao de 256GB. mas em breve eu elimino todos os butelos! hehehe
UsandoParabéns Felipe! Excelente post! mas ainda tenho minhas desconfianças com SSDs….kkkkkkkkkkkk
Quando preço baixar mais (muito mais) irei comprar um para fazer meu Dual boot bem mais eficiente!
Você deveria fazer um post elaborando uma boa suite para sistemas de 64 bits.
Usando