Notícias

Carnaval 2026: O guia definitivo para blindar seu PIX na folia

Uma das datas preferidas dos brasileiros se aproxima: o Carnaval. No ‘folião’, alguns cuidados precisam ser tomados para que as festas ocorram com segurança. No ‘kit de sobrevivência do folião 2026’, se torna indispensável além da hidratação e alimentação adequada, estratégias de segurança contra roubos e furtos.

O furto de celular no Carnaval se tornou motivo de medo para os foliões, podendo resultar em um grande risco financeiro. Para Felipe de Melo, professor de Gestão em Segurança Privada da EAD UniCesumar e especialista em segurança digital, em muitos casos, o risco não está em invasões sofisticadas ou quebra de senhas, mas sim, no fato d eque cartões de crédito e débito permanecem cadastrados no celular com pagamento por aproximação ativado.

“Em alguns casos, com essa configuração ativada, o criminoso não precisa desbloquear o aparelho e nem acessar aplicativos bancários para efetuar uma compra. Basta aproxima o celular de uma maquininha, ou até mesmo enquanto a vítima ainda a carrega no bolso, para que a transação seja autorizada”, alerta o especialista. Portanto, para maior segurança em situações como essa, Melo recomenta ativar autenticações para cada transação: para abrir o banco, para realizar o pagamento e para confirmar o valor, por exemplo.

Levar o “celular do bloco” ou o celular principal para a folia?
O chamado “celular do bloco” é, na prática, um aparelho secundário, preparado especificamente para situações de alto risco de furtos ou golpes, como Carnaval, shows, festivais ou grandes eventos de rua. Melo esclarece que ele não é exatamente um ‘celular fraco’, mas um aparelho limitado, pensando que, se algo acontecer, o prejuízo será baixo.

“Esse aparelho deve conter apenas o indispensável: um chip ativo, acesso à internet, aplicativos básicos de transporte, mapas e, no máximo, um meio de pagamento com limite diário muito baixo. O ideal é não ter aplicativos bancários principais, não ter e-mail pessoal logado, não ter acesso a redes sociais sensíveis e, principalmente, não ter cartões cadastrados para pagamento por aproximação. Se for necessário algum meio de pagamento, recomenda-se um cartão virtual específico, com limite reduzido e, de preferência, configurado para exigir autenticação a cada transação”, recomenda.

Agora, para quem pretende levar o celular principal, Melo ressalta que a segurança precisa ser pensada de forma técnica e preventiva. “O primeiro passo indispensável é ocultar totalmente as informações da tela bloqueada. Isso significa desativar a visualização de notificações sensíveis, especialmente de SMS, WhatsApp e e-mail, impedindo que códigos de verificação ou alertas bancários apareçam sem desbloqueio. Em seguida, é fundamental desativar pagamentos por aproximação (NFC) e remover cartões salvos no sistema”, destaca.

Além dessas medidas, o especialista recomenda “esconder” os aplicativos bancários. “Em aparelhos Android, recomenda-se usar a Pasta Segura ou o Segundo Espaço, recursos nativos que criam um ambiente separado dentro do celular, protegido por senha diferente da tela principal. Os aplicativos de banco ficam apenas dentro desse ambiente, invisíveis no uso cotidiano. Em iPhones, a estratégia mais eficaz é retirar os apps bancários da tela inicial, colocá-los apenas na Biblioteca de Apps, desativar a busca por nome e restringir o acesso por Tempo de Uso, exigindo código adicional para abertura. Não é perfeito, mas aumenta significativamente o tempo de descoberta”, sugere.

Por fim, no que diz respeito a senhas, o professor ressalta que as senhas devem ser diferentes para cada aplicativo, evitando prejuízos maiores, caso o criminoso descubra a “senha principal”. Além disso, adicionar uma senha forte no celular, além da biometria ou touch ID.

Meu celular foi roubado, o que eu faço?
No caso de furto de celular, o relógio joga contra a vítima. “Os primeiros minutos definem se o prejuízo será controlável ou devastador”, explica o professor.

De forma didática, ele orienta que o público siga três passos essenciais, nesta ordem, e com máxima rapidez:

1. Bloqueie o aparelho remotamente (imediato)
Antes mesmo de pensar em boletim de ocorrência, a recomendação é “bloquear o aparelho remotamente”. Isso pode ser feito por outro celular ou computador, via Buscar iPhone (iCloud) ou Encontrar Meu Dispositivo (Google). Ao acionar o modo perdido, o telefone é travado, cartões digitais são suspensos e o acesso aos dados locais é interrompido. Se houver risco claro de golpe, a orientação é considerar a limpeza remota, mesmo com perda de arquivos, porque “a prioridade é conter o dano financeiro”.

2. Bloqueie chip e bancos (quase ao mesmo tempo)
O segundo movimento deve acontecer quase simultaneamente: suspender a linha na operadora para evitar clonagem e interceptação de SMS, ainda usado por muitos bancos como autenticação. Na sequência, a vítima deve acionar os canais de emergência das instituições financeiras para bloquear apps, redefinir senhas e suspender temporariamente Pix, cartões e limites. “Quanto mais rápido esse bloqueio ocorrer, menor a chance de o criminoso registrar um novo dispositivo como confiável”, destaca.

3. Registre o Boletim de Ocorrência (o quanto antes)
O terceiro passo é formalizar o B.O. rapidamente, preferencialmente online, informando horário aproximado, local e a possibilidade de acesso a dados financeiros. O boletim “não impede o golpe por si só”, mas é decisivo para contestar transações, acionar seguro e embasar responsabilização. Em muitos casos, “o registro rápido do boletim é o elemento que diferencia um prejuízo absorvido pelo banco de um prejuízo imputado ao consumidor”, conclui Melo.

Você também vai gostar

Leia também!