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Review: Linux Mint 14 “Nadia”

A distribuição irlandesa Linux Mint é baseada no sistema operacional da britânica Canonical, o Ubuntu. Sua primeira versão saiu em agosto de 2006, com o codinome “Ada” e usava KDE como ambiente gráfico padrão. Seu objetivo inicial parecia sempre o mesmo: complementar o Ubuntu. Mas hoje percebemos que Mint é mais que uma remasterização feita por uma equipe independente; é uma distribuição que tem suas próprias ideias de como fazer seus usuários mais felizes. Os desenvolvedores acertaram tão em cheio que hoje o sistema Linux Mint é o quarto mais usado sistema operacional do mundo, ficando atrás do Windows, Mac OS X e seu irmão Ubuntu, estando à frente de famosas distribuições GNU/Linux como Fedora e OpenSUSE. No site DistroWatch o Mint está em primeiro há muito tempo.

Linux Mint 14 "Nadia"

Linux Mint 14 “Nadia”

O Linux Mint 14 “Nadia” chegou com algumas novidades muito interessantes. Entre elas citam-se o MATE 1.4, Cinnamon 1.6, MDM, novo Gerenciador de Programas, melhorias ao nível de sistema e visual e o acréscimo do kernel 3.5. Mas será que vale a pena instalá-lo? Vamos saber logo.

Novidades

Muitas novidades desta versão do Linux Mint já foram comentadas aqui no Guia do PC sobre o lançamento do sistema. Seria redundância falar tudo novamente. Então, sinta-se obrigado a ler a notícia, pois é fundamental para a análise:

Obtendo e instalando o sistema

Linux Mint não tem custo algum. Pode ser baixado diretamente do site oficial e instalado através de um DVD ou pendrive. O site, por sinal, não está em português, o que é uma pena, pois o Brasil tem um grande público, que poderia aumentar ao dar condições de obter informações da distribuição.

Apesar do site ser totalmente em inglês, a instalação do Mint 14 é multi-idioma, contando com o português brasileiro e lusitano. O instalador é o mesmo do Ubuntu e, portanto, é tudo muito amigável, podendo qualquer pessoa sem conhecimento avançados de Linux ou de informática instalar o sistema.

Instalando o Linux Mint

Instalador do Mint é o mesmo do Ubuntu

Usabilidade e aparência em geral

Apesar de ser baseado no Ubuntu, o Mint não usa a famigerada interface Unity, causadora de muita polêmica. Desde a versão 13 “Maya” o Linux Mint usa a Cinnamon, que no caso está na versão 1.6.

Cinnamon tem um conceito já conhecido e não tenta inventar a roda, como no caso do Unity e do Gnome 3/Gnome Shell. Aqui é  a tradicional barra inferior, com relógio no canto direito, menu no canto esquerdo, como no Windows ou KDE. O aprendizado fica muito mais fácil e rápido com esse estilo tradicional e seu menu principal ajuda mais ainda, pois é simples de usar.

O menu geral, equivalente ao menu iniciar do Windows, é organizado, não deixando o usuário perdido, sem saber o que o programa faz, como acontece com o Ubuntu e seu dash de programas no Unity. Quando coloca-se em “Multimídia” já sabemos que iremos encontrar o aplicativo de imagem ou som.

Menu do Linux Mint

Menu agrada por ser simples

O menu de configurações parece com o do Ubuntu, deixando todo o sistema fácil de configurar.

Configurações do Cinnamon

Configurador do Cinnamon é amigável

No Mint houve outra mudança, que é a substituição do consagrado Nautilus pelo seu fork Nemo. A equipe do Linux Mint não gostou dos rumos que o Nautilus está tomando e tratou logo de ter seu próprio navegador de arquivos. Particularmente, o novo Nautilus, rejeitado não só pelo sistema em tela mas pelo Ubuntu, agrada mais por ser mais simples, pois foi retirada uma série de opções. É um conceito de  “menos é mais” que acabou afugentando muita gente. Apesar de ir na contramão, o Nemo é excelente, sendo um flashback do Nautilus antigo. Sua aparência é mais bonita que o Nautilus do Ubuntu.

Navegador de arquivos Nemo, no Linux Mint

Nemo, fork do Nautilus

O gestor de aplicativos é diferente da Central de Programas do Ubuntu que muitos estão acostumados, sendo uma opção agradável, mais leve e mais rápida que a solução da Canonical, mas sem o charme de loja que vemos na Google Play, por exemplo. Aliás, nada de possibilidade de compras.

Gerenciador de aplicativos do Mint

Gerenciador de aplicativos do Mint

Repositórios Canonical e programas restritos

Linux Mint usa todos os repositórios de programas e componentes do Ubuntu. Além disso já vem com o famoso Medibuntu, que armazena uma boa gama de codecs e aplicativos proprietários, e o GetDeb, com programas e jogos. Programas essenciais, como o codec Flash Player e o plugin Java, já estão instalado por padrão, fazendo ninguém perder tempo para baixar algo tão trivial, mas que não pode vir instalado por padrão, muitas vezes por questões legais, sendo só permitido pegá-los após a instalação.

Desempenho

O Linux Mint 14 é muito leve. Sua inicialização é rápida e após o login o sistema consome inicialmente menos de 300 MB de RAM (Mint 32-bit). Mesmo quem tem um computador antigo e/ou uma placa de vídeo capenga, pode usar tranquilamente o Mint, pois a interface padrão, a Cinnamon, tem um apetite comedido, diferentemente do Unity 3D do sistema da Canonical, que é um voraz devorador de recursos gráficos.

Suporte

A base Ubuntu possibilitou que, mesmo com um time de desenvolvedores independentes, a distribuição receba um excelente suporte, com atualizações constantes de utilidade e segurança, bem como um prazo dilatado para a troca do sistema. No caso da versão “Nadia”, o suporte será até abril de 2014.

Benefícios da base Ubuntu

Como todo o sistema foi baseado no Ubuntu, o Mint tem todos os benefícios do sucesso do sistema da Canonical. Ao deparar-se com pacotes de programas de exclusiva instalação no Ubuntu, pode-se ir sem medo, pois o Mint e o Ubuntu são compatíveis.

Conclusão

Mint merece o título de 4º sistema operacional de desktop mais usado do mundo. Ele não faz feio e consegue ser melhor que muitas distribuições Linux com maciços investimentos financeiros e sólidas equipes profissionais. Sua interface gráfica Cinnamon não tem o mesmo apelo do Ubuntu, mas seu desempenho é de longe melhor. O Mint ainda traz o fork do Gnome 2 e o substituto do Nautilus, o Nemo. Linux Mint é recomendado para iniciantes e para experientes, substituindo com maestria a distribuição referência no mercado, o Ubuntu, para qualquer tarefa, bem como o Windows, para quem tenha vontade de sair do ambiente da Microsoft.

E você? O que achou do Linux Mint? Você trocaria sua distribuição favorita ou o seu Windows por esse sistema que está surpreendendo a todos?

Essa foi a nossa coluna Review da Semana. Gostaríamos de saber a sua opinião a respeito da qualidade das nossas análises. O que acha delas? São boas? Está faltando algo? Se sim, não deixe de nos dizer nos comentários, para que possamos incluir em futuros reviews. Queremos sempre melhorar. E para isso, precisamos da sua ajuda. Veja outras análises que foram publicadas nas semanas anteriores:

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